Projecto angolano vence Whitley Award 2006
11-05-2006 | Fonte: Lusa
O projecto de conservação da palanca negra gigante, que está a ser desenvolvido em Angola pelo Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica, venceu o Whitley Award 2006, um dos mais prestigiados na área da protecção ambiental.

O prémio, uma iniciativa do Whitley Fund for Nature (WFN), foi entregue quarta-feira à noite, numa cerimónia realizada na Real Sociedade de Geografia de Londres.

O projecto angolano era um dos dez finalistas deste prémio, tendo sido seleccionado entre mais de 160 candidaturas de todo o mundo.

Pedro Vaz Pinto, coordenador do projecto de conservação da palanca negra gigante, recebeu o galardão pelo trabalho que tem desenvolvido para tentar salvar esta espécie de antílope única no mundo, que está ameaçada de extinção.

"Angola é frequentemente notícia por más razões, como a guerra, as minas, a corrupção, as doenças ou a fome, mas o país necessita desesperadamente de bons motivos para ser optimista quanto ao futuro", afirmou Pedro Vaz Pinto, na intervenção que proferiu na cerimónia.

"Este prémio coloca Angola no mapa entre as agências internacionais de conservação da biodiversidade, o que pode trazer significativos investimentos para este sector", acrescentou.

Na sua intervenção, Pedro Vaz Pinto defendeu ainda que a conservação ambiental "pode jogar um papel decisivo no desenvolvimento económico local e regional".

O coordenador do projecto de conservação da palanca negra gigante recordou que "as áreas protegidas em Angola foram quase totalmente abandonadas" na sequência do conflito armado, frisando que está agora a ser feito um grande esforço para recuperar das consequências de três décadas de guerra no país.

Por seu lado, Edward Whitley, fundador e presidente do WFN, considerou que o trabalho realizado por Pedro Vaz Pinto "permite ter a esperança num futuro em que a palanca negra gigante sobrevive e está protegida", manifestando a convicção de que este prémio "permitirá obter os apoios necessários para atingir esse objectivo".

O Whitley Award, no valor de 30 mil libras (cerca de 44 mil euros), é atribuído desde 1994 para reconhecer o trabalho desenvolvido por líderes de projectos de conservação da natureza em áreas como a investigação científica, a protecção ambiental e o envolvimento das comunidades locais.

O projecto de conservação da palanca negra gigante, liderado por Pedro Vaz Pinto e desenvolvido em parceria com o Ministério do Ambiente de Angola e o Governo Provincial de Malange, permitiu comprovar que esta espécie única no mundo permanece no Parque Nacional de Cangandala.

Em Fevereiro de 2005, as câmaras automáticas instaladas naquela zona protegida da província de Malange captaram as primeiras fotografias de palancas negras gigantes desde 1982, colocando um ponto final nas dúvidas que existiam sobre a sobrevivência daquela espécie.

No início deste ano, durante uma das expedições mensais que realiza ao parque, Pedro Vaz Pinto conseguiu, pela primeira vez, ver uma manada de palancas negras gigantes a pastar, com mais de uma dezena de elementos.

A descoberta desta manada foi o resultado do trabalho desenvolvido há mais de um ano pelos `pastores das palancas`, um grupo criado no âmbito do projecto de conservação das palancas negras gigantes, com cerca de uma dezena e meia de homens das aldeias situadas no parque que se dedicam à protecção e à vigilância destes animais únicos no mundo.

A palanca negra gigante é uma espécie que apenas existe na região do centro de Angola, mas há cerca de duas décadas que ninguém conseguia provar a sua existência.

Estes grandes antílopes negros, com chifres longos e encurvados para trás que chegam a atingir 160 centímetros de comprimento, são especialmente acarinhados pela população angolana, não só por ser uma espécie que apenas existe no país, mas também porque são um dos símbolos nacionais.

As dificuldades sentidas para encontrar as palancas negras gigantes justificam-se por se tratar de animais tradicionalmente sensíveis à presença humana, mas também por se encontrarem assustados devido ao conflito armado que devastou a região e à perseguição dos caçadores furtivos.

A palanca negra gigante foi descoberta em 1909, causando grande agitação na comunidade científica, que considerou extraordinário que um animal com características tão especiais ainda permanecesse escondido nas matas do interior de Angola.

A raridade deste animal e as suas características únicas fazem com que esteja incluído, desde 1933, nas listas internacionais de espécies sob protecção absoluta.
 
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