By Angola Acontece

O projecto marginal Sudoeste May 2009




As eleições portuguesas e as Relações com os PALOP

No próximo dia 20 de Fevereiro, os portugueses vão a eleições. Eleições legislativas que ocorrerão após o presidente Sampaio ter decidido - a bem ou a mal, não está em discussão – dissolver o Parlamento que sustentava o governo de coligação PSD/CDS-PP.

Não venho para aqui discorrer dessa atitude nem da oportunidade das eleições. Venho sim escalpelizar as linhas programáticas dos principais partidos políticos portugueses no que toca às relações com a CPLP, em geral, e com os PALOP, em particular.

E aí começa a pertinente questão. Quase necessitamos de um microscópio para as descortinar. Senão vejamos:

1. A coligação CDU (PCP-PEV), liderado por Jerónimo de Sousa, mantendo a sua posição de princípio – ser contra a NATO, a militarização da União Europeia e a “Europa-fortaleza” – propõe a diversificação das relações externas portuguesa dando um relevo maior ao “ao desenvolvimento das relações com os PALOP, o Brasil e Timor Leste; com os países do Magrebe e da Bacia do Mediterrâneo; com a China, com a Índia, com a África do Sul”, apoio activo “ao povo do Saara Ocidental e a todos os povos que lutam pelo reconhecimento dos seus direitos nacionais” e “pela anulação da dívida externa dos países do «Terceiro Mundo», por políticas de cooperação e apoio activo e solidário ao desenvolvimento dos povos dos países subdesenvolvidos”.

2. O PS, de José Sócrates, apresenta um programa onde três linhas são concedidas às relações externas lusófonas. Duas para a defesa e valoração da s cultura e língua portuguesa no Mundo e uma para as relações externas com a CPLP “Reforçar o nosso relacionamento político e diplomático, designadamente no espaço da CPLP”; nada mais.

3. O PSD, com Pedro Santana Lopes por timoneiro, apresenta um largo e vasto programa mas no que toca às relações com os seus parceiros linguísticos sintetiza-o em dois pontos apenas e inseridos na rubrica “Língua e Cultura Portuguesa”:
a) Desenvolveremos acções que garantam uma maior ligação do Instituto Camões às Comunidades Portuguesas.
b) Os canais da RTP, RTP Internacional e RTP África deverão dar continuidade à inclusão de programas de índole cultural capazes de transmitirem uma imagem actual de Portugal e da sua cultura.
Ou seja, nem uma linha para as relações diplomáticas e económicas.

4. O CDS-PP, com Paulo Portas na liderança e esperando entrar num qualquer futuro governo de coligação – o mais provável -, na apresentação televisiva e sintética do seu programa deu, uma vez mais, ênfase à vertente social, com particular destaque para a emigração e a manutenção de quotas e o combate às “máfias” a fim de evitar que os emigrantes entrem em Portugal cheios de ilusões e á procura de melhores condições de vida e, pouco tempo depois, sejam mais umas vítimas nas mãos poucos escrupulosas de uns quantos e sempre “oportunos” “empregadores/exploradores”.

Nada mais; com isto não quer dizer que não exista mais nada, é que o sítio do CDS-PP está há já bastante tempo “mudo”.

5. A coligação Bloco de Esquerda, sob a batuta revolucionária de Francisco Louça” não apresenta um programa eleitoral claro mas uma súmula de linhas programáticas avulsas e, mesmo assim, é necessário recorrer aos blogues que lhe são afectos.

6. Paradoxalmente, é preciso ir a um partido pequeno e recente procurar um programa onde as relações Portugal/CPLP está mais tipificada e onde as relações estão em maior pé de igualdade.

Falo do Partido da Nova Democracia (PND) liderado pelo ex-presidente do CDS, Manuel Monteiro e que tem nas suas fileiras personalidades como o Professor Adelino Maltez, por alguns considerado o verdadeiro ideólogo deste partido.

O PND propõe no seu programa, entre outros itens, a substituição da CPLP pela CEPLP (Comunidade Económica da Língua Portuguesa) visando um espaço comum de liberdade e circulação económica através da aprovação por via de um “Tratado definindo a natureza, o âmbito e os objectivos de tal Comunidade; incremento de bolsas de estudo e estágios profissionais; parcerias estratégicas envolvendo Escolas e Empresas”.

Por outras palavras:
1. Vemos que a generalidade dos partidos portugueses desejam incrementar e fomentar a cultura lusófona, mas com particular incidência da cultura portuguesa que não em paralelo com as culturas autóctones dos restantes países lusófonos.

O predomínio da cultura portuguesa sobre as demais não me parece ser a melhor política de aproximação entre os povos. De notar que a excepção esta, uma vez mais, no PND que deseja a “definição de um novo conceito de Organização das Nações, contemplando espaços de afirmação e identidade linguística”.

2. As relações económicas estão omissas, principalmente nos dois principais partidos candidatos a São Bento. Nem uma palavra.

3. Os programas esqueceram-se de clarificar e tipificar as relações com a CPLP, nomeadamente as relações diplomáticas e políticas.

Por outras palavras. Os partidos políticos portugueses estão a fazer uma campanha claramente para consumo interno, esquecendo-se que Portugal é um país fortemente dependente das relações externas políticas e económicas – que não unicamente com a EU – e que, como tal, deveriam tipificá-las nos seus libretos programáticos.

Uma vez mais foi um partido pequeno e sem expressão eleitoral quem melhor viu esse problema.

Por outro lado, os partidos portugueses, em particular os dois maiores, esqueceram-se que no seu seio estão imensas personalidades africanas por via de nascimento ou por via das suas relações económicas que não deveriam ser esquecidos.

Daí não ser de admirar que a maior parte dos países lusófonos, em particular a classe política e económica, se esteja “nas tintas” para Portugal e para os seus políticos.

Aceitam-nos, aturam-nos, e nada mais.
É polémica esta afirmação. É-o , sem dúvida; mas também é verdadeira.

Artigo de Opinião, assinado por Eugénio Costa Almeida
Doutorando em Ciências Sociais
Lobitino@hotmail.com


30 Jan 2005
Fonte: AngoNotícias    [Comentar]

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Comentários
rasga ex-damba Darcel    rasga@darcel
angola nao tém nada haver com a situaçao eleitoral do portugal ... angolano deve em primeiro lugar acolher o lixo que ja faz quase parte da cultura exclusivamente dos habitantes da provincia de Luanda capital !

Katchimbundu - Dumba    Tchicala do Kapolo
Os portugueses desfizeram-se do fascismo. Porque e que nao ensinam os Angolanos a desfazerem-se da ditadura que se esconde na sombra da democracia e amolecer os americanos com o nosso petroleo? Portugueses facam algo para esta Angola dos A Angolanos. Tambem queremos alternancia do poder!

Katchikukuvanda    já no Lobito
O Comentarista "Francisco" tem uma certa razão. Agora o "Sr. Filipe santeiro" parece querer defender uma causa que só por si é bastante clara. Se o Português é racista ou não isso é difícil dizer mas o certo é que há muito racismo em Portugal. O Preto é muito mal tratado em Portugal. Só respeitam os Pretos Americanos. Já na França e na Inglaterra os blacks são bem tratados e prosperam. Agora, como é que queriam que os nossos filhos tivessem a mesma educaçäo que os vossos se Vocês impediram-nos de estudar para näo conhecermos as riquezas da nossa prórpia terra? Em consequência desse impedimento näo se esperava outra coisa após a independëncia porque só tinhamos a 4ªclasse!!! O que devemos fazer, nós Angolanos, é arrumar a nossa casa primeiro e depois escolher com quem cooperar. Temos aquí a Africa do Sul que nos dá tudo e tem tudo e podemos e não vejo porque que temos que chorar se os partidos portugueses nos incluem na agenda deles ou não. Por outra e a mais boa, nós temos o país do futuro! Se nós arrumamos a nossa casa eles é que viräo atrás de nós a pedir isto e aquilo nós vamos tratá-los da mesma maneira, mesmo que venham com dupla nacionalidade.

Francisco    Warwick, mas sou de Lisboa como Lisboeta me defino
Pois, pois... O racismo de que falavas nao é racismo é descriminacao social, com alvo nas posicoes de clase desfavorecidas. Existe descriminacao para africanos, tal como os brasileiros sofrem e estes sao brancos, ou os portugueses de bairros de lata, ou o "parolo/saloio" da provincia ou o "burcoum" da Periferia do Porto. Portugal é o único verdadeiro estado-nacao da Europa, é pequeno e tedencialmente muito conservador, nao tem uma guerra há mais de 200 e por isso as estruturas sociais quase com base no "status" mantem-se quase inalteráveis. Contudo tem uma forte mobilidade social, oq ue ajuda muito ao facto das classes médias, prinicpalmente as novas classes médias e em especial as classes médias baixas que sofreram a desenraizacao tanto social como regional pelas migracoes e vivencias em espacos vazios (a periferia de Lisboa) devido aa fachada que constitui a sua posicao sociaol, muito mais reclamada que real, impoe um forte constrangimento ideológico sobre as camadas da populacao de onde adviram. A substituicao do pobre, ou populaca, por negro pode ter ocorrido ocasionalmente , e é por vezes sentida mas meus amigos, apenas ocorre em lugares mais ou menos precisos. Um outro focus incide num certo mal estar causado pela descolonizacao, mas se o colonialismo fascista foi um erro repugnante, já os retorno dos "retornados" e toda a "estorigrafia" dessas vivencias é culpa vossa... Ambos sao ultrapassáveis. Um porque as geracoes de retornados tenderao a esquecer o desamor/ódio, as segundas geracoes tendem a sentir-se fascinadas por África. Por outro chegará a altura que as populacoes afro-descendentes, também elas acenderao na piramide social portuguesa diluir-se-ao dentro desta sem antes terem daro um forto contributo crioulo, e certamente terao as mesmas reaccoes descriminatórias contra outra comunidade que entretanto tenha ocupado as posicoes mais baixas na sociedade. Eu tenho ouvido comentários interessantissimos de africanos acerca da "eterna" comunidade [que é branca] cigana relegada para os estratos mais baixos do reconhecimento social. Nunca esquecer que nao existem Africanos, existem sim diversas comunidades com interesses e prespectivas diferentes. Na verdade a Angolana tem sido a mais dificil de gerir. O melhor e deixar de parte essa paranóia do racismo, isso nao leva a lado nenhum é um argumento essencialista que por tal se torna impossivel de negociar no jogo social, onde as categorias tem de ter plasticidade de forma a serem revistas e reescritas. Ser negro parece uma muralha inultrapassável. Assim nao vamos lá! Um fenómeno interessante aconteceu em Portugal. Enquanto as outras "potencias" coloniais, depois do desfecho dos seus impérios reestruturou as suas posicoes económicas e inventou o "neocolonialismo". Principalmente através da reconstrucao das suas imagens. Falar de neocolonialismo por parte de Portugual é uma piada. se nem colonialismo quanto mais colonialismo. A necessidade de legitimacao da integracao na Uniao Europeia, e os fortissimos tabus da descolonizacao, criaram um "prospero" com receio ou até pavor de o ser. Nao é Portugal que estrutura a CPLP, mas que mentalidade tao colinizada, a CPLP é para ser uma comunidade de "todos or todos", nao um por todos, ou melhor dois por todos. Os angolanos ai que fizeram umas criticazinhas sarcasticas, deveriam pensar que tem que ser eles a lutar pelo modelo que querem. Por outro lado já se percebeu que a ideia de "prospero" continua em Portugal, mas um "prospero" em coma e que nao parece querer sair dela em secoes de autoflagelacao. E que os outros PALOP's, exepto talvez CV, TL e Macau, esperam que Portugal assuma o seu papel de "Prospero". Vá Lá meus senhores, voces criticam um pais por ser o que é e por nao ser o que é.

Filipe Santieiro    Lisboa
Quero dizer aos amigos angolanos que acham que Portugal é um país corrupto, que estão a viver em um dos mais corruptos pais africanos, onde os dirigentes traem o seu povo, escondendo atrás das costas as ajudas que vêm do estrangeiro (incluindo Portugal). Onde está o proveiro do povo angolano do petróleo que tem a sua terra? Onde está o proveito em relação aos diamantes? Onde é aplicado o dinheiro das ajudas internacionais? Onde está a liberdade de expressão? Quanto ao racismo de que também falaram, podem ter a certeza que o português não o é, nunca o foi. E por isso tinha colónias e se misturaram raças com o mundo todo por onde passámos. O racismo de que falam é consequencia dos roubos, das agressões, das VIOLAÇÕES, dos assaltos a bombas de gasolina para comprar armas, droga, prostitutas e roupas de marca. Vem do facto de ver os nossos filhos serem roubados e esfaqueados por gangues de miúdos de 13 anos, negros, que os pai não educam. Roubarem os nossos idosos... Eu compreendo esse racismo e atribuo-o ao excesso de imigrantes no nosso país, o que torna impossível a sua boa integração.

R.R.    Diáspora
Por um lado, criticamos a CPLP, porque nao funciona, porque é inútil,etc.,etc...por outro lado, vemos a CPLP, como um instrumento de neo-colonizaçao,etc.etc...em qué que ficamos? A CPLP, nao vai funcionar, se os países que ha integram, nao tiverem vontade política, nao pagarem as cotas, nao definirem claramente e lutarem para tal, nas vantagens que se pode sacar dela! "gato preto ou gato branco, o importante é que cace ratos"....sabemos, que podemos tirar proveitos da CPLP, potenciemos estas áreas e, enfriemos, as que nao nos interessam...agora, jogar com a ambiguedade, sem tirar proveito nenhum, parar mordomias de funcinários, é que nao...

luis    luanda
Há quem viva na Holanda e continue sub-desenvolvido.

Angolano    
Angola deveria procurar ter mais cooperação com outros países europeus mais sérios, mais desenvolvidos e mais organizados que Portugal. O que Portugal mais tem a ensinar-nos chama-se corrupção. A Holanda é um país pequeno, com o qual aprenderíamos muito nos mais diversos sentidos: saúde, educação, organização do nosso sistema social, etc. Portugal é o último país da Europa e bastante corrupto. Os outros países europeus reclamam muito desses europeus com um subdesenvolvimento tal, que se nós em Angola nos organizamos, temos a possibilidade de deixá-los para trás. Fui!!!!!

FRANCO "NKIANGUINDO"(mumbembe)    NEDERLAND
DESESPERADOS... Fico muito triste quando vejo as pessoas do galo negro que estiveram no estrangeiro,hoje em Angola nao conseguem fazer oposicao ao M. Afinal tambem nao apanharam a vacina anti-corropcao.Porque o que vejo da oposicao angolana,quase que nao existe,apenas simbolica.A estrutura ou maquina do partido no poder,e' mais forte e com a furtuna toda do pais nas suas maos.E' bom lutarem que haja eleicoes em Angola,e' o meu desejo tambem.Agora os vossos argumentos sao muito aquem da nossa realidade,nao sabem aproveitar o ponto fraco do adiversario.Porque neste momento todos querem mudancas no pais,mas nao se ve a quem confiar a governacao.Naoqueremos sair do mal para o pior. O triangulo politico angolano,entre governo,assembleia e o poder judicial,ninguem consegue distrunfar este triangulo da corrupcao no pais, onde voces tambem ja se encontram bem entegrados.Assim,a quem vamos comfiar,se todos sao corruptos? DEUS ABENCOA ANGOLA...

FRANCO "NKIANGUINDO"[mumbembe]    NEDERLAND
Lamento com a nossa CPLP,seria benefico para a comunidade se os portugueses tivessem uma boa politica com as as suas colonias.Mas,com o mal todo que fizeram aos afros,nao sabem lidar com os pretos que ate hoje continuam com o racismo e discriminacao.Um pais pobre como Portugal,teria muito a ganhar com esta comunidade.Cabe agora aos angolanos,saberem o que ganhamos nesta comunidade.Aposto que se houver um referendo,a maioria votarao a favor da nossa retirada.O mal,e' que o povo nao e' consultado nalgumas decisoes importantes do pais,tudo esta centralizado no ftg.Os irmaos que ja estiveram em Portugal,sabem o tratamento que recebe o preto que vem de AFRICA.Muitos ouvem falar de racismo e discriminacao,mas nao sabem na pratica como isto funciona.O africano, e' hospitaleiro,respeitoso e muito mais.Mas o troco que recebemos,ninguem o imagina.Enquanto eles entram no pais de calcao,sem dinheiro do bolso.Que DEUS abencoe ANGOLA...

Anónimo    
CLP- PALOP é um instrumento para os interesses de português e mais nada?

Anónimo    It is not your Business!
Qual é realmente a utilidade desta CPLP??? Desde de que foi criada não vimos nada de palpável que tenha feito para a dita Comunidade! Continuamos a ser "enxovalhados" para entrar em qualquer país da Comunidade!?... Mandem esta CPLP às favas, pois a sua inutilidade é tão evidente que salta a vista de qualquer um... Vale a pena até um clube de amigos do que esta tal CPLP...