Programa de reintegração social abrange mais de 25 mil ex-soldados Lusa

O governo angolano está a implementar 30 projectos de reintegração social e profissional, que abrangem mais de 25 mil ex-soldados desmobilizados na sequência dos acordos de paz, revelou hoje o ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua(na foto).

"Estes projectos estão a assegurar a reintegração de 25 a 30 mil desmobilizados de guerra, mas, se entendermos que cada um deles é chefe de família, devemos multiplicar por cinco ou por sete (número médio de elementos de cada família) e teremos o impacto indirecto destes projectos", salientou o ministro.

Em entrevista à emissora estatal angolana, João Baptista Kussumua especificou que os projectos de reintegração social e profissional dos desmobilizados estão em curso nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, Cuanza Sul, Huíla, Malange, Lunda Sul e Moxico.

"Os projectos abrangem as oito províncias onde existe uma maior concentração de desmobilizados de guerra", frisou.

O governo angolano aprovou um Programa Geral de Desmobilização e Reintegração (PGDR), orçado em 7,1 milhões de dólares (cerca de 5,7 milhões de euros), que envolve ex-militares das extintas forças armadas do MPLA (Movimento Popular da Libertação de Angola), da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e da FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola).

Os projectos abrangidos por este programa, que conta com a aprovação do Banco Mundial, visam assegurar apoio ao nível da formação profissional e do fomento de projectos agrícolas, mas também incluem a sensibilização dos antigos militares para questões como as doenças de transmissão sexual, os perigos das minas e o respeito pelos direitos e deveres de cidadania.

Na sequência dos três acordos de paz assinados em Angola desde 1991, as autoridades angolanas registaram mais de 180 mil ex-militares das várias forças que estiveram envolvidas no conflito interno angolano.

O Acordo de Bicesse, assinado em Lisboa em 1991, permitiu desmobilizar cerca de 120 mil soldados, o acordo de paz que foi assinado em 1994 em Lusaca, capital da Zâmbia, incluiu a desmobilização de cerca de 58 mil militares e os acordos de Luena, assinados em Abril de 2002, que encerraram o conflito armado em Angola, resultaram na desmobilização de cerca de 98 mil soldados.

A questão da reintegração dos antigos militares é um dos problemas periodicamente levantados pela UNITA e pela FNLA, que reclamam o cumprimento por parte do governo das obrigações assumidas com a assinatura dos acordos de paz.

A principal crítica prende-se com a alegação de que o programa de reintegração social e profissional abrange um reduzido número de ex- militares da UNITA e da FNLA, privilegiando alegadamente os antigos combatentes das forças do governo, liderado pelo MPLA desde a independência de Angola.


14 Sep 2005
Fonte:Lusa    [Comentar]

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Comentários
Lupeta    alemanha
O que sera mim que fui desmobilizado antes dos acordos de Portugal,Lusaka e Luena ?

ainda calado    Portugal "sou benguelese"
li o artigo, quando se fala de intregação dos nossos irmãos que viveram todas as suas vidas em prol da defesa dos ideais do país, é uma pena como os responsaveis deste projecto o fazem. Li em tempo muito curto, no artigo de notícias, que os responsaveis ao reintregar os nossos irmãos( ñ importa de que lado são)são obrigados a responder questionarios, sobre em que partido vão votar ou mesmo, são obrigados a entrar nas fileiras do mpla contra vontade deste, se ñ o fizer terão uma reintregação précaria, isto é feito principalmente a militantes da unita! È pena os generais têm lençois de diamantes, enquanto um simples soldado é posto na rua por sorte!!! esses mesmos generais aparecem na tv a dizer desparatos, como se fosse os donos do país! estes militares que vão a rua ñ aguentando com k a vida têm de tão cruel, viram-se , muitos deles, a roubar, violar, usurpar e quando são apanhados muitos deles em paradeiro desconhecido!!!!!! O país ñ tem estruturas para este e outro tipo de intregação, ñ há fabricas, oficinas, campos para ensina-los novas profissões, poucos são os que consegue, pk ou foi guardacosta do general ou tem alguém la em cima, como se diz. Vamos acabar com isto, a reintregação é universal em Angola pk somos todos filhos de Angola, tratyemo-los sem indiferença!!!