Governo português recusa comentar reacção UNITA a declarações Cravinho
09-11-2005 | Fonte: Lusa
O governo português recusou hoje comentar a reacção do maior partido da oposição angolano, UNITA, que classificou de "insulto intolerável" as declarações do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português sobre o líder histórico do partido, Jonas Savimbi(na foto).

Em declarações à Agência Lusa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, António Carneiro Jacinto, afirmou que o governo português "não comenta" a reacção da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) às declarações de João Gomes Cravinho, numa entrevista publicada sábado pelo Jornal Expresso.

O secretário de Estado descreve Jonas Savimbi como "um monstro" e um "Hitler africano".

O Comité Permanente da UNITA classificou hoje estas declarações como um "insulto intolerável" e uma "grotesca ingerência" nas relações com Angola.

"A opinião do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação do governo de Portugal sobre Jonas Malheiro Savimbi é um insulto intolerável", refere um comunicado da direcção da UNITA enviado à Lusa em Luanda.

Jonas Savimbi, morto em combate na província angolana do Moxico em Fevereiro de 2002, foi o fundador e líder histórico da UNITA.

Na sequência das declarações do secretário de Estado, a direcção da UNITA decidiu enviar ao primeiro-ministro português, José Sócrates, uma carta manifestando o seu "veemente protesto" pelo que entende ser uma "grotesca e infantil ingerência do seu principal porta-voz em matéria de relacionamento com Angola".

"Quanto a João Cravinho, convirá dizer, para refrescar a sua seca memória, que quem tem hitlerismos consigo e cometeu monstruosidades indescritíveis foi uma parte dos colonizadores, de que ele é indefectivelmente uma continuação biológica", diz o comunicado.

A UNITA assegura, no entanto, acreditar que "os dirigentes portugueses responsáveis, sem miopia política nem servilismos mercantilistas, saberão respeitar e trabalhar com os angolanos para criar o quadro psicológico necessário ao bom desenvolvimento das relações entre os dois povos".

Por outro lado, destaca a "clarividência do povo português, que, ao contrário de certos membros do seu governo, sempre soube posicionar-se ao lado de todos os angolanos".

Para a UNITA, as relações entre portugueses e angolanos "assumirão por muito tempo ainda uma enorme carga emocional", defendendo que "competirá aos dirigentes de ambos os povos ganhar permanentemente altura para conferir sempre mais maturidade e idoneidade a essas relações".

A Lusa tentou obter um comentário do próprio secretário de Estado a esta reacção da UNITA, mas não foi possível porque João Cravinho está em viagem para Luanda, integrando a comitiva do presidente da República, Jorge Sampaio, que participa sexta-feira nas comemorações dos 30 anos da independência de Angola.
 
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