Línguas nacionais vão entrar no sistema oficial de ensino em 2006
09-09-2004 | Fonte: Lusa
As línguas nacionais angolanas vão ser introduzidas no sistema oficial de ensino a partir do ano lectivo de 2006, começando pelos primeiros anos de escolaridade, revelou hoje o vice-ministro da Educação, Pinda Simão.

"Estamos a trabalhar para a implementação das línguas nacionais nos primeiros anos de escolaridade, na escola primária", afirmou o vice-ministro, salientando que esta medida "é uma forma de promover o desenvolvimento das línguas nacionais".

Segundo Pinda Simão, que falava aos jornalistas em Luanda, a intenção do Ministério da Educação é "ensinar a língua predominante na zona onde estiver implantada a escola".

Em Angola existem cerca de 20 línguas nacionais, das quais se destacam seis mais importantes, entre elas o quimbundo, que é falado nas províncias de Luanda, Malange, Cuanza Norte, Cuanza Sul e Bengo.

As outras línguas nacionais de maior expressão em Angola são o quicongo (Uíge e Zaire), umbundo (Benguela, Huambo, Bié e Huíla), otchicuanyama (Cunene), kôkwe (Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico) e nganguela (Cuando Cubango).

As línguas nacionais são faladas principalmente nos meios sub- urbanos e no interior do país, mas a maior parte da população angolana, estimada em cerca de 12 milhões de habitantes, utiliza habitualmente o português, que é a língua oficial do país.

O anúncio da introdução das línguas nacionais no sistema de ensino ocorre poucos dias depois de ter terminado em Luanda o II Encontro das Línguas Nacionais, onde esta medida foi defendida como uma das mais importantes para preservar este património cultural angolano.

Na sessão de abertura, o primeiro-ministro angolano, Fernando Dias dos Santos "Nandó", defendeu a obrigatoriedade do ensino das línguas nacionais no sistema escolar do país, salientando a importância de se criarem condições para que os jovens angolanos possam dominar estas línguas.

O governo está a preparar um projecto de lei sobre o Estatuto das Línguas Nacionais, que deverá ser enviado brevemente ao Parlamento, tendo em vista a sua valorização e a promoção da sua utilização.

Em declarações à Lusa em finais de Agosto, a directora do Instituto de Línguas Nacionais, Amélia Mingas, tinha alertado para a necessidade de adoptar medidas para preservar as línguas nacionais angolanas, sob o risco delas desaparecerem.

"É necessário que fique claro se as línguas nacionais são ou não importantes porque, se elas continuarem a ser ignoradas, correm o risco de desaparecer", defendeu Amélia Mingas.
 
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