Negócios com Angola estimulam ensino do português na China
10-12-2009 | Fonte: Lusa
O ensino da língua portuguesa na China, restrito até há pouco tempo a três universidades, em Pequim, Xangai e Cantão, está hoje implantado em uma dezena de cidades, correspondendo ao aumento das relações com os países lusófonos, sobretudo com Angola.

Só em Pequim há cinco universidades com licenciaturas em português, a última das quais abriu este ano lectivo na Universidade de Economia e Comércio (Jing Mao Da Xue). “Há um grande procura de cursos de português, sobretudo por causa de Angola”, diz Ye Zheliang, director do departamento de português da Beiwai (Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim).

A Beiwai tem a licenciatura de português mais antiga do país, desde a década de 1970. Até cinco anos atrás, o curso fazia parte da Faculdade de Espanhol da universidade, mas hoje integra a “Faculdade de Espanhol e Português”.

Sem contar os alunos que frequentam cursos privados, “que também há muitos”, existe cerca de duzentos estudantes de português na capital chinesa, estima um professor da Beiwai.

As outras instituições de ensino superior com cursos de português são a Beida (Universidade de Pequim), a Erwai (Universidade de Línguas Estrangeiras nº2) e a Universidade de Comunicações.

Fora da capital, há licenciaturas de português em Xian, Dalian, Tianjin, Nanjing, Changchun e Harbin, além de cursos intensivos em Chengdu.

“É um fenómeno muito recente, dos últimos dois ou três anos”, realçou o professor Ye Zheliang.

Dezenas de grandes empresas chinesas, sobretudo na área da construção civil, estão estabelecidas hoje em Angola, e segundo indicou um jornal de Pequim, existem cerca de 40 mil chineses trabalhando no país africano.

“Há chineses a trabalhar nas 18 províncias de Angola”, disse um diplomata angolano estabelecido em Pequim.

Devido ao petróleo, Angola tornou-se mesmo o maior parceiro comercial da China no continente africano.

O domínio do português é igualmente importante para as empresas com negócios no Brasil, que é um crescente parceiro político da China e uma das grandes economias emergentes do mundo.

“Os alunos que saem daqui arranjam todos emprego. Alguns vão para o Brasil, mas Angola tem muito mais empresas chinesas”, diz um professor da Beiwai.

Na década de 1990, havia apenas duas licenciaturas de português na China, uma na Beiwai e outra na Universidade de Estudos Estrangeiros de Xangai. Na Universidade Jinan, em Cantão, também se ensinava português, mas como língua estrangeira opcional.
 
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