Governo não diz preço de viaturas de luxo compradas para juízes
19-01-2005 | Fonte: Lusa
Os ministros angolanos das Finanças e dos Transportes escusaram-se hoje a revelar no parlamento o custo de dois veículos de luxo adquiridos para o Tribunal Supremo, afirmando apenas que visam garantir a segurança das entidades a quem se destinam.

"Em relação aos carros, apenas podemos confirmar que foram feitas as aquisições das viaturas e que os valores não são altos. São veículos especiais que garantem a segurança das entidades para quem se destinam", afirmou o ministro dos Transportes, André Luís Brandão(na foto).

O ministro angolano falava numa sessão plenária da Assembleia Nacional, no âmbito de uma interpelação ao governo solicitada pela UNITA para obter do governo esclarecimentos sobre a aquisição de dois automóveis de luxo para juízes do Tribunal Supremo.

Os dois veículos terão custado cerca de 800 mil dólares cada, segundo informações veiculadas pela comunicação social angolana e nunca desmentidas pelo governo.

"Perante estes relatos, ainda mais estranhamos o silêncio dos governantes enquanto gestores do dinheiro público", afirmou Jerónimo Wanga, líder parlamentar da UNITA, na intervenção que abriu o debate.

Na resposta, o presidente da bancada parlamentar do MPLA, Bornito de Sousa, desvalorizou a questão da aquisição das viaturas e apelou à não divulgação de dados que possam pôr em causa a segurança dos juízes a quem se destinam.

"Não nos deve preocupar a atribuição de viaturas a altas entidades, mas preocupa-nos que dados como as matrículas e os números dos chassis tenham sido revelados. Hoje foram divulgados dados dos carros dos magistrados, no futuro ainda serão dadas a conhecer as especificações do carro do Presidente da República", frisou.

A aquisição destas viaturas foi também criticada pelo presidente da bancada parlamentar do Partido de Renovação Social (PRS), Lindo Bernardo Tito, para quem "é um paradoxo que sejam compradas duas viaturas no valor de 1,6 milhões de dólares quando o país vive dificuldades financeiras extremas".

"É uma obrigação do Estado garantir a segurança das entidades, mas não podemos comprar uma viatura por 800 mil dólares quando o pretexto é segurança", afirmou, criticando o ministro dos Transportes por não esclarecer "o preço real dos carros".

No encerramento do debate, o ministro das Finanças, José Pedro de Morais, também se escusou a revelar o preço das viaturas, que afirmou terem sido encomendadas numa altura em que o país ainda estava em guerra, pelo que as exigências de segurança eram maiores.

"O preço real dos automóveis está depositado nos órgãos competentes do governo", afirmou José Pedro de Morais. A interpelação ao governo foi solicitada ao presidente da Assembleia Nacional pela UNITA a 01 de Dezembro, tendo em vista o esclarecimento das condições de aquisição de duas viaturas Audi A8, blindadas, cujo custo terá ascendido a cerca de 1,6 milhões de dólares.

Na carta enviada ao presidente do parlamento angolano solicitando a interpelação ao governo, o líder da bancada parlamentar da UNITA, Jerónimo Wanga, manifestava estranheza pelo facto de a aquisição das viaturas ocorrer "numa altura em que o governo pensa encetar uma batalha para que se ultrapassem as dificuldades" que estão ainda a impedir a assinatura de um acordo com o FMI.
 
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