Generais manifestam indignação pela forma como Bento Kangamba foi detido
05-03-2020 | Fonte: O Kwanza

O general Matias Lima Coelho (Zumbi) manifesta, em mensagem cuja autoria lhe é atribuída, a sua repulsa nos seguintes termos: “Sinceramente isto não se faz. Tenham respeito com os Oficiais Generais. Não humilhem as pessoas. C/da PGR tome as medidas necessárias para corrigir isso e venha a público retratar-se. Algemar um General num crime de incumprimento contratual é normal? Não, o País está extremos. Kangamba tem famílias do Leste, não se esqueçam disso. Humilhem-nos. (…)”.
 
Na sua mensagem, o general Zumbi defende que o episódio de humilhação a que foi submetido o general e empresário Bento dos Santos Cangamba deve ser debatido a nível das Forças Armadas Angolanas (FAA) e do Ministério da Defesa. “Não podemos deixar que nos abandalhem e nos humilhem desta forma. Já fomos muito humilhados. Mas nunca chegamos ao ponto de algemarem um general na via pública e aparece uma aeronave da Presidência para o transportar por causa de um suposto crime, cujo maior praticante é o Estado angolano que criou milhares de desempregados para não falar em milhões, provocou desunião de famílias e fez aumentar o banditismo, a prostituição e falir milhares de empresas principalmente angolanas. Haja respeito por aqueles que pacificaram está grande Angola”, escreve o general e comandante reformado das FAA Zumbi.
 
Outra mensagem a que “O Kwanza” teve acesso é igualmente do general das FAA Arnaldo Antas que faz coro com a do seu “compagnou de route” Matias Lima Coelho (Zumbi).  “Estou de plena opinião com as palavras do general Nzumbi. Nós combatemos.  Demos todo nosso saber para conquistar esta paz. Temos indivíduos que nunca sentiram o barulho de um morteiro 60 milímetros, hoje aparecem armados a algemar um general? Tenho o dito General Cmdt. Antas”, finaliza.
 
Recorde-se que agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) detiveram, sábado último, na localidade de Xangongo, província do Cunene, o general e empresário Bento dos Santos Kagamba sem o devido mandado de prisão, tal como estabelece a Lei de Prisão Preventiva em Instrução Preparatória, por alegada tentativa de fuga para a vizinha República da Namíbia, depois de ter sido notificado basta vezes pelas autoridades para responder a um processo de burla por defraudação na Direcção Nacional de Investigação (DNIAP) na capital angolana.
 
De acordo com uma fonte policial contactada pel’ O Kwanza, a partir de Ondjiva, capital do Cunene, Bento Kangamba foi detido pelos agentes do SIC, que para tal invocaram “ordens superiores”, quando se preparava para deixar Xangongo em direcção à província da Huila.
 
 “O mandado assinado pelo procurador chegou às mãos dos investigadores do SIC, no Cunene, quase meio dia depois de Bento Cangamba ter sido detido. Detiveram-no primeiro, depois é que o mandado veio de Luanda”, referiu a fonte policial.
 
A mesma fonte assegurou que não corresponde à verdade a informação segundo a qual o general e empresário Bento Kangamba preparava-se para deixar o País em direcção à vizinha República da Namíbia.
 
O Kwanza apurou que o general e empresário Bento Kangamba, que já se encontra no Hospital Prisão de São Paulo, em Luanda, será devolvido à liberdade ainda nesta segunda-feira, depois de ser interrogado por um procurador na  Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) do Ministério Público.
 
Bento ‘Kangamba’ casou com uma sobrinha do antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos, é dono do clube de futebol Kabuscorp e foi dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). No passado, o general tem um histórico com autoridades judiciais internacionais.
 
Chegou a ser acusado de tráfico de mulheres pela justiça brasileira e o seu nome esteve também envolvido numa investigação em França sobre o destino de três milhões de euros apreendidos no sul de França e que, alegadamente, se destinava ao general, que estava no Mónaco.
 
DESMENTIDO
 
Entretanto,o general  Bento dos Santos ‘Kangamba’ negou neste sábado que estivesse a tentar fugir do país, depois de ter sido detido junto à fronteira com a Namíbia por suspeita de “burla por defraudação”.
 
Em comunicado, a assessoria de imprensa do militar na reserva explica que Bento ‘Kangamba’ tem colaborado com a justiça angolana e tem pago uma dívida relativa a um caso de “suspeitas do crime por defraudação” a que foi sujeito.
 
“Nunca o sr. Bento dos Santos ‘Kangamba’ ou os seus representantes legais foram notificados de qualquer medida de coação que, porventura, lhe tenha sido aplicada, o que significa que era um homem livre, podendo circular dentro e fora das fronteiras de Angola, sem qualquer restrição”, refere o comunicado.
 
Apenas na sexta-feira o general terá sido “notificado, através dos seus mandatários legais para ser ouvido em autos, no dia 05 de março de 2020”, sublinha-se no mesmo comunicado, adiantando que, uma vez informado, “o Sr. Bento dos Santos ‘Kangamba’, prontificou-se a regressar a Luanda, ainda durante o fim de semana, uma vez resolvidos os problemas que o tinham levado a viajar” para o sul de Angola.
 
‘Kangamba’ “não teria como estar ‘em fuga’, sustentam os seus assessores no comunicado, “em primeiro lugar, porque não pendia sobre si nenhuma interdição de saída, ou qualquer outra medida de coação e, em segundo lugar, porque fez toda a sua vida em Angola, tem todo o seu património em Angola e a aludida dívida, que foi forçadamente contraída a alguém que pretendia expatriar os seus capitais, à revelia da legislação em vigor, já era de montante bastante inferior ao património que possuiu”.
 
“A sua precipitada detenção, de forma ilegal, ilícita e abusiva, que aqui e agora protestamos veementemente, constitui uma violação grosseira às normas mais elementares de qualquer estado democrático e de direito e demonstra, de forma clara e inequívoca, a gratuita intenção de humilhar publicamente um homem que tanto contribuiu, como militar, político e empresário, para o engrandecimento de Angola”, referem os assessores do general, que prometem recorrer da prisão.

 
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