Angola e Moçambique em risco de fome "de proporções bíblicas", avisa ONU
22-04-2020 | Fonte: EuroNews

O mundo arrisca derrapar este ano para uma tragédia de fome "de proporções bíblicas" devido à pandemia de Covid-19. O alerta é das Nações Unidas (ONU) e baseia-se no novo Relatório Global de Crises Alimentares.
 
Se nada for feito, o número de pessoas em risco de insegurança alimentar aguda no mundo pode mesmo quase duplicar este ano e chegar aos 265 milhões de vítimas, face aos 135 milhões de 2019.
 
O estudo destaca uma lista de 35 países numa situação mais perigosa, onde inclui os casos de Angola e Moçambique, já nas fases mais graves da escala de cinco: mínima, stresse, crise, emergência e, a pior de todas, fome.
 
"A situação mais preocupante é Moçambique. Com uma população de 27,9 milhões, 1,7 milhões de pessoas estavam nas últimas três fases de insegurança alimentar; cerca de 1,4 milhões, em situação de crise; e 265 mil, em emergência", lê-se no relatório publicado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM), da ONU.
 
No caso moçambicano, detalha-se ainda que "mais de 67 mil crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e 42,6% tinha problemas de crescimento", num país onde dois ciclones , o "Idai" e o "Kenneth", destruíram no ano passado diversas plantações e contribuíram para o aumento do preço dos alimentos, agravando uma crise alimentar já em curso.

Em Angola, "a insegurança alimentar aumentou devido à seca nas províncias do sul e o afluxo de refugiados da República Democrática do Congo".
 
"No país de 31,8 milhões (de habitantes), mais de 562 mil (pessoas) foram afetadas. Cerca de 272 mil viviam em situação de crise e 290 mil em emergência. Mais de 8% das crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e perto de 30% tinha problemas de crescimento", destaca o relatório sobre Angola, apontando que "a melhoria das condições de seca" deveria "ajudar as pastagens e aumentar as perspetivas de produção agrícolas" angolanas.

 
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