Comissão Europeia alerta para exposição da banca portuguesa a Angola
20-05-2020 | Fonte: Jornal Económico

A Comissão Europeia alertou esta quarta-feira para a exposição da banca nacional às geografias que dependem altamente dos preços das matérias-primas, nomeadamente do preço do petróleo, o que poderá ter impacto na qualidade do crédito dos empréstimos concedidos a estas regiões.
 
Nas recomendações específicas por país no âmbito do semestre europeu, que têm por base a análise do Programa de Estabilidade português, a Comissão Europeia refere que as medidas de mitigação dos impactos da Covid-19 na economia “devem ter a resiliência do setor bancário em consideração”.
 
A exposição dos bancos portugueses a algumas geografias que são “altamente” dependentes da evolução dos preços das matérias-primas, “nomeadamente o petróleo”, é um dos alertas identificados pela Comissão Europeia.
 
Sem nunca mencionar o Estado angolano especificamente, a instituição europeia liderada por Ursula von der Leyen diz que “a exposição a estas geografias é sensível ao risco do mercado, taxas de câmbio e risco do crédito”, o que poderá ter impacto “na qualidade do crédito dos empréstimos concedidos” a estas regiões.
 
Angola é um país produtor e exportador de petróleo, através da Sonangol. Segundo o jornal local “Mercado”, com base em dados publicados pelo Ministério das Finanças angolano, o país africano exportou 44,5 milhões em abril ao preço médio de 26,75 dólares, bem abaixo do preço-médio por barril de 54,97 dólares registado em março.
 
No mês passado, as receitas da produção petrolífera angolana até subiram cerca de 10% face ao mês de março para 432,5 mil milhões de kwanzas porque Angola aumentou a produção de barris, de 38,8 milhões para 44,5 milhões.
 
Entre os principais bancos portugueses, muitos têm uma forte exposição ao mercado angolano, através das operações bancárias que detêm em Angola. O BPI, detido a 100% pelo espanhol CaixaBank, tem uma participação de 48,1% do BFA. A Caixa Geral de Depósitos, através da Partang, que detém a 100%, controla 51% da Caixa Geral Angola. O Millennium bcp, através da BCP África SGPS, detém uma participação de 22,52% no Millennium BCP Atlântico. O Banco Montepio controla 51% do Finibanco Angola e o Novo Banco detém 9,72% do Banco Económico.

 
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