Dono da TV Palanca acusa PGR de não dizer a verdade sobre devolução da empresa ao Estado
03-06-2020 | Fonte: VOA

A Interactive Empreendimentos Multimédia, o grupo angolano que detém a TV Palanca, desmente que algum dos seus sócios tenha manifestado o interesse de ceder as suas quotas e que a sociedade tenha aprovado a cessação das mesmas.

Num comunicado distribuído à imprensa na terça-feira, 2, o grupo empresarial reagia desta forma às declarações do Procurador-Geral da República (PGR), Hélder Pita Grós, segundo as quais o acionista principal teria decidido entregar a TV Palanca ao Estado por alegadas dificuldades financeiras.

A sociedade considera tais declarações como sendo “um infundado e injustificado ataque” à empresa e assegura que, apesar da crise, “a TV Palanca continua a respeitar escrupulosamente os seus compromissos pagando os ordenados dos trabalhadores”. Analistas defendem, entretanto, que por lei a devolução voluntária ao Estado de bens ilicitamente adquiridos com recurso aos fundos públicos não iliba os seus autores de eventual responsabilização pelo crime cometido.

Os juristas Pedro Capracata e Carlos Veiga admitem que este pode vir a ser um expediente a adoptar pela justiça angolana para atenuar as possíveis penas a aplicar aos acusados, pelos tribunais, no quadro combate à corrupção.

Para Carlos Veiga, o país pode estar a ensaiar “uma nova política criminal” que visa estimular outros implicados a devolverem o que retiraram ilicitamente dos cofres do Estado sem se sujeitarem a pesadas penas. “Nesta nova política criminal, o que se pretende é que se recupere o que se locupletou do Estado”, afirma.

O jurista Pedro Capracata considera, por sua vez, que por esta via o Governo angolano pode também perpetuar a impunidade “que continua a fazer lei no país”. “Estes são expedientes que estão a ser utilizados para assegurar a impunidade das pessoas”, afirma.

 
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