ENSA: “Despertamos o interesse de muitos investidores internacionais”
01-07-2020 | Fonte: Negócios ( Celso Filipe )

A ENSA – Seguros de Angola vai estrear o programa de privatizações lançado pelo Governo de João Lourenço. O presidente executivo, Carlos Duarte, acredita que a seguradora, com o parceiro certo, terá um mercado que sairá das fronteiras do país.
 
Carlos Duarte, líder da ENSA – Seguros de Angola, diz que o Ministério das Finanças angolano irá definir, em breve, a percentagem de capital que será vendida a um parceiro estratégico. Em entrevista por escrito, sustenta que esta alienação irá acelerar o processo de reestruturação da seguradora.


A primeira fase da privatização da ENSA contempla a venda de parte do capital a um parceiro estratégico. Qual é a percentagem que tencionam colocar à venda?
 
O figurino inicial apontava para uma alienação de 35% através de um IPO [oferta pública inicial]. Contudo, após o diagnóstico feito por esta administração, entendeu-se que a privatização deveria ser feita em duas fases: a alienação de uma percentagem a favor de um parceiro estratégico do setor; e posteriormente, a disseminação do capital através de IPO num prazo máximo de cinco anos. O Ministério das Finanças irá definir a breve trecho quais as percentagens por cada fase.
 
Já existem abordagens com potenciais interessados?
 
Tratando-se de uma questão acionista, não gostaria de me pronunciar sobre o tema. Nem tão-pouco seria desejável qualquer abordagem nesse sentido enquanto não forem iniciados os “road shows”. O processo está a ser monitorizado pelo Banco Mundial e temos de observar escrupulosamente as melhores práticas da OCDE, como a total transparência.


Entre eles existe algum grupo com atividade em Portugal. Qual ou quais?
 
Neste momento não posso entrar nesses detalhes. Seria indelicado do meu lado e, além disso, só depois dos “road shows” teremos o quadro completo. E todos partirão com iguais hipóteses, claro.


Quais as vantagens da entrada de um parceiro estratégico, além da financeira?
 
Um parceiro estratégico com “know-how” e experiência no setor pode acelerar o processo de reestruturação do negócio, no sentido de consolidar o posicionamento da marca no mercado, ao mesmo tempo que dará maior visibilidade no contexto global da indústria. A ENSA é uma companhia que, com o parceiro certo, terá um mercado mais vasto do que o de Angola. Mas tudo a seu tempo.


Num contexto recessivo, como o atual, devido à covid-19, considera possível encontrar este parceiro?
 
O espectro de incerteza dominante numa geografia ou numa determinada área de negócios pode significar oportunidades noutras geografias ou setores de atividade. O mercado segurador na África Subsariana tem taxas de penetração ainda modestas sobretudo nas linhas de negócio Vida, com um potencial de crescimento a longo prazo muito interessante. A marca ENSA tem uma grande notoriedade no mercado angolano e decerto desperta o interesse de muitos investidores internacionais.


Quais as medidas que têm de ser tomadas para garantir uma penetração maior dos seguros em Angola?
 
Em duas palavras, diria, mais seguros mandatórios e fiscalização. Evidentemente, isto é verdade quando existe rendimento disponível nas famílias, sobretudo na classe média. Durante vários anos sucessivos, a classe média angolana foi a que mais cresceu em África, e esta tendência inverteu-se em 2016. O contexto económico atual é desafiante e esperamos voltar ao crescimento nos próximos dois anos. A outra dimensão do problema está na educação financeira. Existe um programa público sobre esta matéria, e também a ASAN – Associação de Seguradoras de Angola, à qual presido, tem estado em estreita cooperação com o Ministério da Educação com vista a integrar temáticas de seguros nos programas curriculares da educação primária.


A entrada de um parceiro estratégico poderá aumentar a vossa quota de mercado?
 
De acordo com dados da Associação de Seguradoras de Angola, a ENSA manteve-se em 2019 como líder do mercado com uma quota de 35,29%, uma subida de 0,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior, que permitiu inverter a tendência de queda de mercado dos últimos anos. Estes resultados mostram que mesmo sem a entrada de um parceiro estratégico a ENSA aumentou a sua quota de mercado em 2019 e acreditamos que estão reunidas as condições para manter esta tendência nos próximos anos. Um parceiro estratégico com experiência no setor, com tecnologia e com uma visão de longo prazo, irá alavancar o crescimento da ENSA.

 
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