Ataques cibernéticos em ritmo crescente
03-07-2020 | Fonte: Jornal de Angola

Quase metade das organizações empresariais angolanas enfrentaram um número crescente de ataques disruptivos nos últimos 12 meses, em que 16 por cento foram ataques de cibersegurança bem-sucedidos feitos por activistas e 19 por cento por agentes maliciosos internos.
 
Os dados são da Global Information Security Survey (GISS), uma sondagem realizada no final de 2019 pela companhia internacional de consultoria Ernst Young (EY) a 1.300 organizações de vários países, consagrando um relatório a Angola.
De acordo com o estudo, apesar do crescimento generalizado de ciberataques, apenas um terço das organizações nacionais afirmam que a função de cibersegurança é parte activa nas fases de planeamento de novas iniciativas de negócio.

O documento considera que o modelo usado pela maioria das empresas angolanas não é sustentável, posto que não incorpora de raiz as iniciativas suportadas por tecnologias. “Este não é um modelo sustentável: se alguma vez esperamos antecipar-nos à ameaça, teremos de nos focar na criação de uma cultura de security by design”, adverte o especialista da EY em cibersegurança Sérgio Martins, no relatório.
 
O especialista alerta que, “nos próximos meses, os grupos activistas vão aumentar os ataques, em função da reacção das organizações à pandemia do COVID-19”, quando apenas 33 por cento das iniciativas de negócio suportadas por tecnologiasafirmam incluir as equipas de segurança desde o início dos projectos.

Sérgio Martins apela, como forma de solucionar estas debilidades, que as organizações superem a divisão entre as funções de cibersegurança e as de negócio, permitindo que o departamento dE segurança de informação “actue como consultor e facilitador e não como um obstáculo estereotipado”, conclui.
De acordo com o estudo, as equipas de cibersegurança das organizações nacionais têm boas relações com as funções relacionadas, como IT, auditoria, risco e a jurídica, mas há uma desconexão latente com outras áreas de negócio.

Setenta e um por cento das empresas afirmam que a relação entre a cibersegurança e o marketing é escassa ou inexistente, enquanto 86 por cento relatam uma relação neutra e 67 por cento relações tensas com o departamento financeiro, do qual dependem para autorização de orçamento.

O estudo conclui que, nas empresas angolanas, “a relação de confiança entre departamentos, deve ser construída, de forma transversal, durante o processo de transformação digital das empresas”.
 

 
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