BNA introduz taxa de custódia sobre excesso de liquidez dos bancos comerciais
28-07-2020 | Fonte: Lusa

O Banco Nacional de Angola (BNA) vai introduzir uma taxa de custódia sobre o excesso de liquidez dos bancos comerciais para aumentar a intermediação de recursos financeiros com os restantes agentes económicos, foi hoje anunciado.

“Ao introduzir a taxa de custódia sobre o excesso de liquidez dos bancos comerciais, o Banco Nacional de Angola visa incentivar o aumento do nível de intermediação de recursos financeiros entre a banca comercial e os restantes agentes económicos, com o objetivo subjacente de estimular a atividade económica”, justifica o regulador num comunicado.

A decisão foi tomada hoje pelo Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM), que analisou o comportamento recente dos principais indicadores económicos, “numa conjuntura que continua afetada negativamente pela pandemia da Covid-19”. Desta análise sobressaiu a persistência dos fatores de risco para a inflação, tendo presente as incertezas em torno da pandemia e os efeitos monetários das medidas de estímulo.

O BNA decidiu assim manter várias das orientações já adotadas: manter a taxa de juro básica em 15,50%; a Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 15,50%; e a Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, com maturidade Overnight em 0%; manter os coeficientes das reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira em 22% e 15%, respetivamente; manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, com maturidade de 7 dias a 7%.

Mantém-se também ativa a janela da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, com maturidade Overnight, até 100 mil milhões de kwanzas (152 milhões de euros), renovável trimestralmente, de modo não cumulativo, ao longo do exercício económico de 2020. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a atividade económica deteriorou-se no primeiro trimestre, face ao período homólogo de 2019, com uma queda de 1,8% do PIB real, situação que terá prevalecido igualmente no segundo trimestre, adianta o CPM.

No mês de junho, o Índice de Preços no Consumidor Nacional registou uma taxa de variação mensal de 1,74%, abaixo dos 1,94% apurados no mês anterior, o que resulta numa inflação homóloga de 22,62%, nível acima da observada em maio (21,82%). O CPM concluiu que “a inflação de bens alimentares continua a contribuir em grande medida para a tendência crescente da inflação cheia, tendo-se situado em 27,87% em termos homólogos”, o nível mais elevado desde fevereiro de 2018.

Por isso, o CPM “reitera o seu comprometimento com a manutenção da estabilidade dos preços na economia e, para o efeito, continuará a monitorizar todos os fatores determinantes da inflação, quer do lado da oferta, como da procura”.

Quanto ao ‘stock’ das reservas internacionais brutas, fixou-se em junho de 2020 em 15,6 mil milhões de dólares (13,3 mil milhões de euros), correspondendo a um grau de cobertura de 11,76 meses de importações de bens e serviços.

 
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