Angolanos temem pelo aumento dos preços com novo kwanza
30-07-2020 | Fonte: Lusa

Os angolanos temem novos aumentos dos preços com a entrada em circulação das novas notas de kwanza, cujo momento dizem ser "inoportuno", e mostram-se "indiferentes" à ausência do rosto do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

A nova nota de 200 kwanzas (0,3 euros) é a primeira a entrar em circulação, hoje, e depois seguir-se-ão progressivamente as de 500 kwanzas (0,75 euros), 1.000 kwanzas (1,5 euros), 2.000 kwanzas (3 euros) e de 5.000 kwanzas (7,5 euros), até janeiro de 2021.

Azul, castanho, rosa, verde e lilás, do menor ao maior valor facial, são as cores que respetivamente predominam nas novas notas da “família do kwanza”, da Série 2020, cuja figura principal é a efígie do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto.

Alteração dos preços dos produtos e agravamento das dificuldades socioeconómicas do país “já complicadas devido à Covid-19″ constituem receios dos cidadãos ouvidos hoje pela Lusa, em Luanda, que se dizem informados sobre a entrada do novo kwanza no mercado. Isabel Viviana, funcionária pública, reprova a entrada em circulação do novo kwanza, considerando que o processo deverá “complicar a já difícil situação social e económica do país”. “Não acho bom [a entrada do novo kwanza] e acho que ainda vai complicar a situação, porque estamos a passar uma fase muito difícil e nessa fase não seria nada bom trocar o nosso kwanza.

Não há vantagens”, disse hoje à Lusa. Para Viviana, o período pós-Covid-19 “seria o ideal” para a circulação das novas notas, sem o rosto de José Eduardo dos Santos, ex-Presidente da República. Segundo Bonifácio Tinta, apesar de as autoridades justificarem que apenas o rosto de Agostinho Neto surja nas novas notas como “homenagem à sua figura”, a ausência da imagem de José Eduardo dos Santos constitui “surpresa” porque “era já uma figura habitual”.

O gestor dos recursos humanos considerou igualmente que a troca da moeda não surge num momento mais acertado, sobretudo por conta da Covid-19, admitindo implicações nos preços dos produtos. “Podemos ver que estamos num período em que a inflação é muito alta e essas novas notas podem de certa forma influenciar o mercado”, notou.

Nelson Paulino, moto-taxista, que disse já ter tido contacto com a nota de 200 kwanzas, manifestou-se surpreso com a cor e o tamanho da nota, feita de material de polímero (plástico), afirmando ter constatado algum receio quando pretendia trocar o dinheiro.

O jovem, que enalteceu a figura do Agostinho Neto, disse, no entanto, que a troca de moeda “não é prioridade nesta fase”, pedindo “a Deus” para que as mesmas “não inflacionem ainda mais os preços no mercado”. “As coisas já estão complicadas, os preços, e com essas notas não sei como vai ser, só Deus”, referiu.

 
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