As infra-estruturas de Telecomunicações e o seu impacto em África
04-08-2020 | Fonte: AN

Múltiplas empresas de prestígio internacional empreenderam projetos de envergadura para desenvolver a infraestrutura de telecomunicações na África. Estas iniciativas começaram na década de os 1990 com o firme propósito de estabelecer as condições para melhorar a conectividade à internet através da expansão do sistema de redes de internet no continente africano.

Com estas ideias foram empreendidos valiosos projetos de infraestrutura de fibra óptica e internet como o programa e-Africa promovido pela União Africana, o projeto Leland patrocinado pela agência norte-americana para o desenvolvimento internacional (USAID), a implementação de um sistema submarino de cabeamento da África Oriental promovido pelo Banco Africano de Desenvolvimento e pelo Banco Mundial.

O objectivo de incorporar novos sistemas de redes de Internet, ou de melhorar os já existentes, através de sistemas de cabos submarinos e terrestres, foi fazer com que os africanos pudessem ligar-se à rede de Internet. Conforme o exposto pela Comissão Econômica para África (CEPA), o continente africano requer um investimento aproximado de 100 bilhões de dólares para que sua população de 1,3 bilhão de habitantes possam se conectar à internet. Apesar dos grandes progressos registados, a África apresenta uma baixa penetração da Internet (39,3%) em comparação com a taxa global (58,8%), segundo estatísticas fornecidas pela Internet World Stats em 2020.

A África apresenta uma baixa penetração da Internet (39,3%) em comparação com a taxa global (58,8%), segundo estatísticas fornecidas pela Internet World Stats em 2020, Mas ele se posicionou nos primeiros lugares como o continente com maior crescimento global de telefonia móvel, o que o converte em um mercado potencial de grande interesse para as companhias tecnológicas do mundo.

Google e Facebook investem em África

Os gigantes digitais de Silicon Valley, Google e Facebook vislumbram financiar projetos de infraestrutura de internet na África para liderar este mercado continental no futuro.

A expansão das telecomunicações em África é o resultado do árduo esforço, confiança e investimento do sector privado. Mas, actualmente, empresas líderes em telecomunicações como o Facebook e o Google se encarregaram de dar continuidade à ampliação da infraestrutura por sua alta capacidade de financiamento. Entre as iniciativas concretas do Google destacam-se o investimento num sistema de cabo submarino de banda larga e a construção de um cabo intercontinental privado.

A partir de 2011 Google desenvolveu um projeto de internet, Csquared, com o apoio econômico de operadoras de redes móveis e outros fornecedores como Mitsui & Co, Convergence Partners, a Corporação Financeira Internacional, e o Grupo Banco Mundial, para o fabrico de redes urbanas de fibra óptica e para a optimização da infraestrutura de banda larga da Internet em África. A empresa dispõe em Kampala e Entebbe em Uganda de mais de 890 km de fibra óptica, em Gana abrange mais de 1070 km de fibra e na cidade de Monróvia colocou 180 km de fibra óptica.

O Projecto Loon ativo no Quênia e Equiano é outra das iniciativas do Google para impulsionar a infraestrutura de internet no continente africano, que está prevista para ser concluída em 2021. Trata-se de um sistema de cabos submarino de fibra óptica que procura ligar a África à Europa. Facebook segue os passos do Google no caminho para liderar o investimento em infraestrutura de telecomunicações em África e aumentar a velocidade da internet.

A empresa de Marck Zuckerberg tem usado até mesmo drones movidos a energia solar, aplicativos como Freebasics para fornecer acesso à internet. Além disso, enfatizou no projeto próprio Express Wifi na África onde se utilizava uma plataforma de wifi disponível para as operadoras de telecomunicações. No ano passado, o Facebook decidiu investir em infraestrutura terrestre no continente africano, para isso estabeleceu laços de negócio com a Main One e a Airtel.

A conhecida rede social disponibilizou uma parte de sua receita para construir 750 km de fibra óptica de internet na Nigéria, 800 km de conexão por fibra em Uganda e 100 km de conexão por fibra na África do Sul. Com a implementação do ambicioso projecto 2Africa pretende-se realizar um incrível investimento em infra-estrutura de internet em África com a contribuição financeira do Facebook, China Mobile International, MTN Globalconnect, a multinacional francesa de telecomunicações Orange, a empresa de telecomunicações STC, Telecom Egypt, Vodafone e a West Indian Ocean Cable Company.

O projeto com termo previsto para 2024 consiste na construção de um extenso cabo submarino de fibra óptica para prover de internet a África e Médio Oriente. Este conglomerado de empresas será responsável pela conclusão de um projecto que implica a construção de 37.000 km de cabos que interconectarão a Europa, O Médio Oriente e a África para garantir que milhões de pessoas se integrem na rede de Internet a máxima velocidade no continente.

Novo operador de telecomunicações em Angola

Conforme anunciou há um mês o ministro das telecomunicações, tecnologias de informação e comunicação social, Manuel Homen, ingressou em Angola a quarta empresa operadoras de telecomunicações que busca a estabilidade do mercado, criação de emprego e desenvolvimento de tecnologias. A empresa Africell Global Holding Ltd recebeu a licença como um primeiro passo para o desenvolvimento da área, após um processo de licitação perante a entidade governamental para prestar o serviço público de comunicações digitais em Angola.

O governo nacional esclareceu que este passo crucial foi feito para promover o emprego de especialistas e profissões de Angola, reduzir custos através da eficiência no aproveitamento dos recursos disponíveis. Por sua vez a companhia leva 12 anos trabalhando na área no continente, e dispõe da capacidade tecnológica para melhorar a qualidade dos serviços de telecomunicações no território angolano e garantir um internet confiável e de alta velocidade.

O objetivo social deste concurso é que as instituições de saúde e de educação possam ter a possibilidade de utilizar a rede de informação global como um benefício público. O governo de Angola internalizou que a internet é um património público mundial e um direito humano que proporciona benefícios sociais à nação e impulsiona a economia, mas há que dispor de um quadro jurídico sólido e de estratégias digitais abrangentes adequadas para estas empresas tecnológicas que promovam o crescimento humano, tecnológico e económico, caso contrário, estas plataformas digitais serão utilizadas para fins errados, como a difusão de violência, insultos e outros actos criminosos na Internet.

Impacto da Internet nos países africanos

A economia global está marcada pelo digital, 15% do produto bruto mundial está associado à economia digital, mas a África representa apenas menos de 1% desta percentagem. De acordo com a CEPA, 17,8% dos lares africanos têm acesso à internet, apenas 21% usam a internet. A implementação de projectos de telecomunicações e de Internet de alta velocidade resolveria em grande medida o problema do acesso à tecnologia da informação e das comunicações, além disso seria mais acessível. Atualmente o custo médio de um gigabyte (GB) dos dados corresponde a 7,12% do salário médio e em alguns países pode custar 20%.

Em países onde a internet é acessível o custo do gigabyte varia entre 1% e 2% da renda doméstica. Estas melhorias podem aumentar a velocidade da Internet em África, a largura de banda em algumas partes de África é baixa, pelo que se espera que ao investir dinheiro nas telecomunicações adquira mais rapidez, para utilizá-las para o bem público.

Trata-se de reduzir o fosso comunicacional entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos, onde 87% da população dos países industrializados usam internet e nos países menos desenvolvidos o número chega a 19%. A África tem de enfrentar muitos desafios no caminho da tecnologia digital, como a redução dos níveis de exclusão e desigualdade, a vigilância electrónica dos processos e a luta contra a cibercriminalidade. Muitos países africanos não possuem leis de proteção de dados, portanto, dependem de grandes empresas de tecnologia para fornecer acesso à Internet. Até ao momento, a legislação africana não se adapta aos novos desafios, pelo que enfrentar esta nova etapa representa um verdadeiro desafio, pois a ausência da devida regulamentação torna o continente vulnerável à desinformação, ao monopólio de mercado, a violação da privacidade, entre outros. Desenvolver um quadro jurídico que regulamente a Internet e sua utilização é uma tarefa titânica, criar políticas e leis digitais leva tempo e requer um amplo trabalho prévio baseado em princípios éticos e comunicacionais.

 
Comentários
Quer Comentar?
Nome E-mail ou Localização
Comentário
Aceito as Regras de Participação