Estádio 11 de Novembro inspira cuidados
13-09-2020 | Fonte: Angop

O Estádio 11 de Novembro, maior infra-estrutura desportiva do país, edificada no âmbito do Campeonato Africano das Nações (CAN'2010), inspira cuidados, apesar da aparência ainda bela. Com dimensão e qualidade arquitectónica de “encher os olhos”, o recinto não está em fase de ruína, muito menos abandonado (de todo), como ocorre com grande parte dos campos construídos para servir de suporte à maior festa do futebol africano.

Entretanto, pelos problemas que acumula, o imóvel cujo desenho arquitectónico foi inspirado na rara planta Welwitschia Mirabilis, esconde males de obrigatória reflexão. Localizado na zona do Camama, município de Belas, província de Luanda, foi erguido em 18 meses, obedecendo padrões da moderna arquitectura universal. Conquanto, pela velocidade como tudo foi feito, deixa cada vez mais “a nu” uma série de problemas, cuja resolução pode exigir cerca de AKz mil milhões do erário. O imóvel constava do programa de investimentos públicos do presente ano económico, inviabilizado, todavia, por causa da pandemia da Covid-19. Enquanto isto, a alternativa será a realização de obras paliativas, para evitar o pior.

No quadro de uma série de reportagens sobre as infra-estruturas desportivas no país, a ANGOP constatou um cenário preocupante no Estádio 11 de Novembro, com realce para a parte exterior, apesar dos esforços da presente gestão, nomeada em 2018. Actualmente, a infra-estrutura que acolheu os jogos de abertura e de encerramento do CAN'2010, ganho pelo Egipto, apresenta sinais preocupantes, como a falta de placard, de elevadores e outras áreas que deixaram de funcionar.

A zona central do primeiro anel e a relva, ainda bem tratada, escamoteiam, de alguma forma, uma verdade que poderá vir à tona, caso não sejam tomadas medidas mais abrangentes tendentes à manutenção e conservação do “gigante” imóvel. Para agravar a situação, tem uma pista que beneficia tudo, menos a prática do atletismo.

Ao contrário do apregoado à imprensa na altura da sua colocação, de que seria de elevado padrão internacional, a verdade é que, passados 11 anos, naquela pista nunca foi disputada qualquer prova oficial, por causa do risco de lesão para os atletas.

Sobre este assunto, até hoje não foram explicadas as razões que levaram à colocação de uma pista cuja qualidade é questionada, de acordo com especialistas da modalidade.

Para José Sayovo, três medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Atenas, em 2004, não se compreende como o maior estádio do país não possui uma pista própria, ainda mais pelos investimentos feitos pelo Estado.

 
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