Crédito representa 16% dos activos da banca
14-09-2020 | Fonte: Angop

O crédito bancário à economia representa apenas 16% do activo da banca e uma taxa de transformação de depósitos em créditos de 35%. Conforme o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, os dados até 30 de Junho demonstram que o crédito na economia de Angola "tem ainda um peso modesto na economia nacional".

Ao intervir sexta-feira (11), no X Fórum Banca, promovido pelo Jornal Expansão, referiu que, em relação ao sector empresarial, o crédito bancário não é mais do que 12,5% no PIB não petrolífero. No sector de particulares, não atinge 3%. Na economia nacional, acrescentou, os níveis de concentração do crédito por sector são elevados.

O sector do comércio domina, com cerca de 25% da totalidade do crédito concedido, e tende a ser de curto prazo, ou seja, o crédito tem servido, essencialmente, de suporte à importação de bens de consumo, alguns com grande potencial de produção local, como é o caso de bens alimentares que compõem a cesta básica. Trata-se de crédito de rápida concessão, dado que tem risco contido, uma vez que apenas se mostra sustentável no curto prazo, dependendo de uma constante disponibilidade de moeda estrangeira.

Ainda assim, a taxa de crédito mal-parado é elevada, situando-se em torno de 22%, apesar do recuo de 34% verificado nos primeiros seis meses do ano, associado ao processo de reestruturação do principal banco de capitais públicos, como o Banco de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco de Comércio e Industria (BCI).

Do lado da oferta, a principal constatação prende-se com a fiabilidade da informação submetida aos bancos para análise e decisão, resultante da inexistência de contabilidade organizada em muitos casos, apesar de ser frequentemente referida a pouca viabilidade dos projectos submetidos. A fragilidade do sistema de registo de garantias e a morosidade no tratamento de disputas comerciais constam também dos principais condicionalismos, do lado da oferta. J

á do lado da procura, em contrapartida, têm sido apontados como constrangimentos os procedimentos, excessivamente, burocráticos, por vezes “pouco profissionais e morosos” de recolha de informação, análise e contratação.

Segundo José de Lima Massano, há reclamações sobre a falta de conhecimento e domínio pelos bancos do sector de actividade, onde se insere a entidade que solicita o crédito. Ênfase maior é colocado no custo do crédito, ou seja, as taxas de juro e comissões são consideradas excessivas e inviabilizadoras de projectos. “As fragilidades do ecossistema de concessão de crédito interno e externo à banca obriga-nos a uma abordagem estruturante, para que o desejo de mais crédito bancário à economia se efective, sem que se transforme num elemento de instabilidade do sistema financeiro”, aponta o governador do BNA.

No seu entender, é neste contexto que estão em curso um conjunto de medidas que concorrem para a melhoria abrangente da concessão de empréstimos, destacando as propostas de Lei sobre o Regime de Recuperação de Empresas e da Insolvência, bem como das Garantias Mobiliárias e Registo de Garantias que se encontram já em posse da Assembleia Nacional.

 
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