Mais de 90% das escolas angolanas sem condições para regresso às aulas, diz estudo
14-09-2020 | Fonte: Lusa

Mais de 90% das escolas angolanas não têm condições para o regresso às aulas em segurança face à ameaça de covid-19, segundo um estudo de duas organizações não-governamentais que recomendam adoção de medidas para o abastecimento regular de água.

O estudo foi realizado pelo Mosaiko — Instituto para a Cidadania e a Rede de organizações da sociedade civil de Educação para Todos (Rede EPT-Angola), em 70 escolas de nove províncias, entre julho e agosto deste ano. O

regresso às aulas presenciais está previsto a partir de 05 de outubro, de forma faseada, para os diferentes graus de ensino. O “Diagnóstico às Escolas sobre as Condições de Regresso às Aulas” refere que das 70 escolas do ensino primário e 1.º ciclo inquiridas, na sua maioria públicas (54), 93% indicaram que não têm todas as condições necessárias para retomar as atividades letivas com segurança, sendo a falta de água, o número de torneiras disponíveis e a falta de casas de banho os principais condicionantes.

A maioria das escolas (53%) tinham apenas uma ou duas casas de banho, sendo a média de alunos dos estabelecimentos de ensino que participaram no diagnóstico superior a mil Apenas cinco escolas responderam estar preparadas: duas escolas comparticipadas, em Luanda, e três estabelecimentos públicos (duas na Huíla e uma no Bengo).

As escolas reportaram também um acesso limitado à água, quer pelo número de torneiras (72% das escolas têm zero ou uma torneira disponível), quer pela irregularidade no abastecimento, identificado em 60% destes espaços Mais de 50% das escolas não têm água canalizada e 79% têm fontes alternativas, como tanque ou cacimba (poço).

Para minimizar o problema, cerca de 44% das escolas criaram sistemas de lavagem das mãos alternativos, sobretudo bidons com torneiras, mas quase todas referiram que são ainda insuficientes. Apesar das dificuldades, a maioria das escolas é favorável o regresso às aulas presenciais ou semi-presenciais para assegurar o direito à Educação e a proteção das crianças, posição também defendida pela Rede EPT-Angola e o Mosaiko.

As duas instituições consideram, no relatório, que o encerramento das escolas “deixa as crianças e jovens marginalizados ainda mais para trás” em termos de acesso à educação e aprendizagem.

 
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