Crédito malparado recua 34 por cento no semestre
18-09-2020 | Fonte: Jornal de Angola

O crédito malparado na banca angolana recuou, nos seis primeiros meses deste ano, 34 por cento, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA). Embora seja considerado ainda elevado ante uma taxa real prevalecente de 22 por cento, o processo de reestruturação do Banco de Poupança e Crédito é apontado como a principal razão da redução observada no período em referência.

De acordo com o governador José de Lima Massano, quando discursava no recente fórum banca, foram já efectuados diagnósticos em torno do acesso ao crédito e os resultados considerados consistentes.

O crédito representa apenas 16 por cento do activo da banca e a taxa de transformação de depósitos em crédito ronda os 35 por cento. Conforme adiantou o go-vernador do banco central, do lado da oferta, a principal constatação prende-se com a fiabilidade da informação submetida aos bancos para análise e decisão, resultante da inexistência de contabilidade organizada em muitos casos. Também, é, frequentemente, referida a pouca viabilidade dos projectos submetidos.

A fragilidade do sistema de registo de garantias e a morosidade no tratamento de disputas comerciais, consta dos principais condicionalismos. Em contrapartida, adianta, do lado da procura, têm sido apontados como constrangimentos os procedimentos excessivamente burocráticos, por vezes pouco profissionais e morosos, de recolha de informação, análise e contratação, havendo reclamações sobre a falta de conhecimento e domínio pelos bancos do sector onde se insere a entidade que solicita o crédito. “Os dados a 30 de Junho atestam que o crédito bancário tem ainda um peso modesto na economia. Os níveis de concentração do crédito por sector são elevados.

O sector do comércio domina, com cerca de 25 por cento da totalidade do crédito concedido e tende a ser de curto prazo. Ou seja, o crédito tem servido, essencialmente, de suporte à importação de bens de consumo, alguns com grande potencial de produção local, como é o caso de bens alimentares que compõem a cesta básica”, disse. José de Lima Massano disse, no entanto, que a ênfase maior é colocada no custo do crédito, ou seja, as taxas de juro e co-missões são consideradas excessivas e inviabilizadoras de projectos.

Entretanto, as fragilidades do ecossistema de concessão de crédito interno e externo à banca obrigam o banco central e demais players do sector a uma abordagem estruturante, para que o desejo de mais crédito bancário à economia se efective, sem que se transforme num elemento de instabilidade do sistema financeiro.

Garantiu estar em curso um conjunto de medidas que concorrem para a melhoria abrangente da concessão de empréstimos, tendo destacado as propostas de Lei sobre o Regime de Recuperação de Empresas e da Insolvência e das Garantias Mobiliárias.

 
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