Angola defende suspensão da dívida externa
13-10-2020 | Fonte: Jornal de Angola

A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, juntou-se a outros governantes africanos que defenderam, na sexta-feira última, o prolongamento da iniciativa de suspensão da dívida para 2021, posição expressa num encontro de alto nível com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM).

O seminário, que juntou a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass, a vários ministros africanos, visou identificar opções para ampliar o financiamento à região africana nos próximos cinco anos, partilhar experiências com as políticas implementadas pelos vários países em resposta à pandemia e as suas consequências económicas e sociais, anunciou, ontem, o Ministério das Finanças (MINFIN).

No seminário sobre "Mobilização com África", os intervenientes "convergiram quanto à necessidade de mobilização de recursos internacionais extraordinários para acudir a situação pós-pandemia" e pediram um prolongamento até 2021 da Iniciativa do G-20 para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), destaca o MINFIN numa nota publicada no seu portal.

Vera Daves referiu-se às medidas, sobretudo em termos de sustentabilidade da dívida, para fazer face ao choque da pandemia sobre a economia e sistemas de saúde. "Gostaríamos de ver a extensão das iniciativas de alívio existentes, pelas quais agradecemos a todos os parceiros multilaterais e bilaterais, e enfatizamos o nosso compromisso de tornar as nossas economias e sistemas de saúde mais resistentes a choques, manter a sustentabilidade da dívida, melhorar o ambiente de negócios e criar as condições para o investimento estrangeiro directo e a diversificação económica que promova o crescimento", afirmou a governante, citada pelo MINFIN.

O seminário sobre "Mobilização com África", realizado de forma virtual, serviu de antecâmara das reuniões anuais das instituições financeiras internacionais que decorrem desde ontem e vão até 17 de Outubro. No encontro, Kristalina Georgieva, citada na nota do MINFIN, salientou a necessidade de os Estados africanos intensificarem as re- formas económicas que visam a melhoria da qualidade da despesa em domínios fundamentais como a educação, saúde, digitalização e infra-estruturas, indicando que sem reformas, "a ajuda externa não será eficaz nem suficiente".

David Malpass informou, por seu turno, que o Conselho de Administração do Banco Mundial está em vias de aprovar, nos próximos dias, um programa de 12 mil milhões de dólares destinados à aquisição de vacinas para a prevenção da Covid-19. O presidente do Grupo Banco Mundial anunciou, também, o lançamento, na próxima semana, da primeira edição do relatório sobre o Estado Internacional da Dívida, "documento que re-flecte a gravidade da situação, particularmente entre os países africanos".

Na mesma ocasião, o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, anunciou a realização, em Maio de 2021, em Paris, de uma Conferência Internacional de Alto Nível para o financiamento de África, tendo em vista a mobilização de recursos para o financiamento de grandes projectos de investimento público, com envolvimento do sector privado. O evento juntou entida-des políticas e governativas de vários países africanos, especialmente ministros das Finanças e da Economia e governadores dos bancos centrais, com destaque para o Senegal, Ghana, Nigéria, Camarões e Tunísia, assim como de altos responsáveis de organizações multilaterais internacionais.

Estiveram igualmente presentes o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, e a secretária executiva da Comissão Económica das Nações Unidas para África, Vera Songwe. Esta foi a se-gunda edição do evento promovida pelo Departamento Africano do FMI.

 
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