UNITA diz que o discurso do presidente do MPLA é contraditório e diz que não se deixa intimidar
29-10-2020 | Fonte: VOA

A UNITA considerou hoje "contraditório" o discurso do presidente do MPLA, João Lourenço, ao reiterar o direito à manifestação, na abertura da IV sessão ordinária do Comité Central do seu partido. elito Ekuikui, secretário provincial de Luanda da UNITA, que liderou a representação do partido na manifestação de Sábado, 24, disse hoje, 29, em declarações ao Novo Jornal, que as palavras que João Lourenço deixou hoje na abertura do Comité Central (CC) do MPLA são contraditórias porque afirmam o direito à manifestação e, ao mesmo tempo, é dito que a UNITA não tinha esse direito.

"Não entendemos o discurso do senhor presidente do MPLA, ao afirmar que os cidadãos angolanos têm o direito de reunião e de manifestação, parece ter ignorado que foi isso simplesmente o que fizemos", asseverou. A manifestação de Sábado foi organizada pela sociedade civil - Movimentos Revolucionário e pela Cidadania, com o apoio da UNITA e do Bloco Democrático - e culminou com a detenção de 103 pessoas que estão agora em julgamento sumário no Tribunal Provincial de Luanda.

Relativamente ao envolvimento directo da UNITA e os seus deputados à Assembleia Nacional na manifestação, fortemente criticada por João Lourenço, Nelito Ekuikui disse que "um deputado é um cidadão comum e pode participar em qualquer manifestação para exigir melhorias de condições de vida dos cidadãos que representa no Parlamento".

"Fomos eleitos pelo povo. No momento em que o nosso eleitorado atravessa momentos difíceis da vida, nós os deputados temos que manifestar a nossa solidariedade", acrescentou, salientando que a presença na manifestação "não merece repúdio porque estão a cumprir o que a Constituição de Angola diz ser um direito". De acordo com o deputado, o discurso do Presidente do MPLA não intimida a UNITA quando refere que o principal partido da oposição "deve assumir todas as consequências dos seus actos", considerando ter sido uma "irresponsabilidade". que pode ter contribuído para o aumento acentuado de novos casos de contaminação por Covid-19.

"O senhor Presidente do MPLA não pode intimidar a UNITA. O Executivo que ele dirige, deve dialogar com a sociedade, para o País sair da crise em que se encontra neste momento", referiu. Na sua opinião, o comportamento da UNITA não vai deitar por terra todo o esforço que a Nação vem fazendo, desde Março do corrente ano, no combate à pandemia. "Neste luta contra a Covid-19, o Executivo conta com o apoio da UNITA e da sociedade civil em geral. O que estamos a pedir é que o Governo trace políticas claras para mitigar a crise que afecta os angolanos, não obstante a pandemia", insistiu, sublinhando que o estado de emergência que se quer implementar novamente no País "é para escapar à responsabilidade porque o Executivo não consegue cumprir o que prometeu".

 
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