Importações de bens alimentares para Angola com quedas relevantes desde 2018
18-11-2020 | Fonte: Lusa

Angola tem registado quedas trimestrais “relevantes” na importação de bens alimentares, para a qual desembolsa agora 160 milhões de dólares (135 milhões de euros) por mês, disse hoje o governador do banco central angolano. José de Lima Massano prestava esclarecimentos aos deputados no âmbito da discussão e votação, na generalidade, da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2021, aprovado com votos contra da oposição.

Segundo o governador do Banco Nacional de Angola, o país neste momento tem reservas internacionais que cobrem cerca de 11 meses de importações, salientando que o mecanismo da taxa de câmbio funcionou, protegendo a economia. “Não temos hoje registo de empresas com dificuldades no repatriamento de capitais, de ganhos no país, não temos o registo de atrasados cambiais como trazíamos do passado, temos um mercado financeiro a funcionar com relativa estabilidade”, garantiu Massano.

O governador do banco central realçou que este exercício tem permitido criar melhores condições para que a economia nacional se torne mais competitiva, dando particular nota aos bens alimentares. “Em que temos estado a registar quedas trimestrais relevantes na importação de bens alimentares. Nesta altura, vamos com importações de cerca de 160 milhões de dólares/mês em bens alimentares e quando iniciámos o programa o país importava cerca de 250 milhões de dólares/mês [211 milhões de euros]”, frisou.

De acordo com o governador do BNA, essa redução abre espaço para a produção nacional, como se tem constatado nas superfícies comerciais, e para o crescimento da economia de forma mais sustentável e saída do quadro de dependência excessiva de fatores externos. “A nossa economia continua muito dependente de fatores externos, é já consensual, é tão assim que qualquer alteração a nível do nosso principal produto de exportação, o petróleo, acaba por ter de facto um impacto nas nossas opções de política”, afirmou.

José de Lima Massano disse que o segundo trimestre de 2020 foi “tão mau” quanto o que o país verificou no longínquo ano de 2004. “É necessário recuarmos até ao ano de 2004 para encontramos um trimestre tão mau como foi o segundo trimestre de 2020. Tivemos um duplo choque, por um lado, o preço do barril de petróleo que caiu de 48,50 dólares [40,9 euros] do trimestre anterior para 27,2 dólares [22,9 euros] e tivemos também neste trimestre uma queda de cerca de cinco milhões de barris de petróleo a nível da produção”, indicou.

“Mas o nosso choque não ficou por aqui, registamos também uma queda de cerca de 64% de exportação de diamantes e para todos os outros produtos e serviços exportados também uma queda de cerca de 7%”, continuou. A balança de pagamentos refletiu essa queda, prosseguiu José de Lima Massano, acrescentando que foi registado naquele período uma inversão dos superavits que Angola vinha assistindo desde 2018, altura em que iniciou o programa de reformas macroeconómicas.

“Tivemos nesse período uma queda da nossa conta corrente, um défice da conta corrente, de perto de 10% do PIB [Produto Interno Bruto]. Portanto, um comportamento bastante adverso que impactou sobre a nossa moeda, que até aqui registou por isso uma queda de cerca de 30% comparativamente ao dólar dos Estados Unidos da América”, referiu.

 
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