Camisinhas podem causar problemas de saúde
11-01-2021 | Fonte: O PAÍS

Em paragens, travessias aéreas, engarrafamentos e mercados, as camisinhas apelidadas como “evita problema” estão a ser comercializadas e a garantir, inclusive, o sustento de muitos cidadãos.

Entretanto, o facto de este produto estar exposto ao sol ou ser mal conservado poderá (quando devia evitar) causar problemas à saúde. Custam três 100 Kz. É uma camisinha de fácil identificação, por ter a embalagem do tipo militar, e a publicidade de quem zunga tem facilitado o processo de compra, quando diz “evita problema, só 100 Kz”.

O baixo custo chama a atenção de quem passa pelas pontes, paragens de táxi, entradas de mercados, bem como estradas mais engarrafadas de Luanda, e vê-se obrigado a comprar, uma vez que fica mais caro obter o mesmo produto em locais habituais, como as farmácias, lojas de conveniência ou supermercados. José Victorino vende estas camisinhas na via pública, aproveitando o engarrafamento que quase todos os dias se regista na via do mercado do Hoji-ya-Henda, no São Paulo.

A sua venda só tem sido possível porque muitos dos clientes reclamam dos preços dos preservativos vendidos em farmácias. “Aqui é barato. Esta fila de três preservativos vendemos a 100 Kz. A venda tem sido boa, sem nenhum sobressalto. Diariamente chego a vender 30 camisinhas.

Em cada caixa, que custa 1.500 Kz, chego a lucrar 2.500 Kz”, disse, José Victorino, que é vendedor ambulante há 5 anos.

A camisinha em questão, como explicou, é chamada de “evita problema” pelo facto de “o país não estar em condições para se fazer muitos filhos”, no caso daqueles que não usam o preservativo como contraceptivo. “Não adianta engravidar, porque as coisas estão muito caras, o país está em crise e o Coronavírus não está a ajudar”, sublinhou.

A conversa com a nossa equipa de reportagem não foi fácil, porque tanto José quanto o nosso segundo entrevistado, citado mais abaixo, mostraram-se com medo de que fôssemos polícias ou agentes da fiscalização.

O receio era tanto que, se não fosse a nossa câmara fotográfica, os mesmos não dariam entrevistas só com a identificação de que éramos jornalistas.

Vendem o que é proibido vender

Aquela reacção não foi apenas manifestada pelo facto de estarem a vender na rua, mas também por saberem que estão a comercializar um produto que, a princípio, não devia ser vendido, uma vez que está estampado na parte frontal do preservativo as palavras “Venda Proibida”.

É de venda proibida porque tal preservativo provém das Forças Armadas Angolanas, da unidade de saúde, e devia ser entregue de forma gratuita, no âmbito das campanhas de prevenção e combate ao VIH-SIDA.

“Vendo porque eu também compro”, disse, Alberto Praia, de 33 anos, outro vendedor com o qual conversamos, com um ano de venda, no Mercado do São Paulo.

Este entrevistado, bem como o primeiro, foram unânimes em dizer que compram as caixas de camisinhas no Mercado dos Kwanzas, ao preço de 1.500 Kz, e que em cada uma delas lucram 2.500kz. sa

 
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