A importância da tecnologia na recuperação económica de Angola
19-02-2021 | Fonte: Institucional

Por: Carlos Cardoso

O ano de 2020 marcou uma retração geral da economia nos principais mercados mundiais, e a economia angolana não ficou alheia a este efeito. As dificuldades sentidas em países como a China, França ou Espanha provocaram um efeito dominó nas finanças de Angola, uma vez que estes clientes representam mais de metade do volume de exportações do nosso país. Por esse motivo, assistiu-se a uma redução assinalável de produtos transacionados para o exterior. Com efeito, os próximos meses serão de retoma à boleia das facilidades que a tecnologia possibilita e do potencial do online.

A degradação da balança comercial de bens e serviços com os principais clientes de Angola resultou numa diversificação de atividades na procura de novas fontes de receita marcadamente tecnológicas, como o e-commerce, a compra de ações através de plataformas online ou a iniciativa de operar com opções de forex online, aproveitando as oscilações do câmbio e das divisas para retirar dividendos recorrentes e com risco diversificado. No âmbito de forex online, nunca foi tão fácil executar operações de bolsa, margens, reversões de risco ou spreads, uma vez que estão disponíveis estratégias para todos os tipos de trader através de plataformas profissionais de investimento. Estas são soluções que utilizam a envolvente atual a seu favor e que alavancam o uso da internet para criar postos de trabalho numa altura de contração generalizada. O maior predicado que a tecnologia oferece nestes segmentos é a velocidade de execução, já que é possível comprar, vender, testar, promover, planear ou executar ações a qualquer hora e em qualquer lugar através de um dispositivo com ligação à rede.

Segundo dados do FMI, esperam-se dificuldades na recuperação económica angolana até 2024, e isso só empresta maior importância à adoção de novos modelos de negócio, que assentem nas tecnologias existentes. Os mercados digitais caracterizam-se por uma operacionalidade global não só no que concerne ao raio de atuação do negócio per se, mas também no que respeita à exploração de recursos, à extensão de processos e, logicamente, ao recrutamento de talento. Olhando para o mercado de um ponto de vista global, as empresas angolanas alargam os seus públicos-alvo de forma massiva e multiplicam as probabilidades de sucesso no seu setor de atividade.

Para que a economia de Angola se torne mais tecnológica e usufrua das bendições do digital, é obviamente necessário que os recursos tecnológicos existentes no país acompanhem esta vontade. Atualmente, existem ainda melhorias a fazer nesse sentido e espera-se uma maior qualidade nas telecomunicações angolanas nos próximos anos, permitindo essa valorização dos negócios digitais. Esta melhoria dos meios tecnológicos permitirá um acesso facilitado a mercados externos, mas também tornará Angola num país mais atrativo para investimento internacional. Este foi precisamente o caso da operadora norte-americana Africell, que anunciou a entrada no país com a criação de seis mil postos de trabalho e um investimento superior a 300 milhões de dólares.

Existe ainda um caminho longo a percorrer para que Angola possua uma economia com uma natureza mais tecnológica, mas existem passos a ser dados nesse sentido. Nos seus trâmites tradicionais, a economia do país tem alguma margem de manobra financeira para os próximos anos, mas a competitividade com os seus congéneres não será possível no longo prazo com um foco tão acentuado em mercados voláteis, como são exemplo a indústria petrolífera ou o segmento dos diamantes. Num mundo cada vez mais rápido e exigente a nível comercial, só os mais tecnológicos terão hipótese de ser bem-sucedidos e, por esse motivo, Angola deve tornar-se mais tecnológica para bem da sua economia.

 
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