Major Lussati assume ser “único proprietário” dos bens retidos
31-05-2021 | Fonte: O País

Advogou que o dinheiro, carros, casas, jóias e outros meios, en- contrados em sua posse, “foram adquiridos de forma transparen- te, fruto de muito trabalho e negócios ao longo de vários anos”.

No primeiro interrogatório a que foi submetido no dia 27 deste mês, pelos investigadores da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal( DNIAP), da Procuradoria-Geral da República (PGR), durante quatro horas, o major das Forças Armadas Angolanas (FAA), Pedro Lussati, assumiu ser o único proprietário do dinheiro e de outros bens encontrados em sua posse no acto da detenção.

Segundo uma fonte ligada à DNIAP, Lussati, que até Novembro de 2017 esteve ligado à Casa de Segurança do Presidente da República, terá confessado que o dinheiro, os bens móveis e imóveis são propriedade dele e foram adquiridos ao longo dos últimos anos, através de poupanças e negócios transparentes, e que não têm ligação com as acusações que lhe foram feitas sobre a origem de tais meios. 

Segundo a fonte deste jornal, Pedro Lussati, cujo nome saltou na ribalta e nos holofotes da imprensa nacional e estrangeira, nos últimos dias, garantiu provar a titularidade dos bens se o processo for introduzido em tribunal.

Avançou que apesar do nervosismo com que se apresentou inicialmente na audiência, pouco tempo depois foi-se acalmando, respondendo de forma precisa o interrogatório dos especialistas da DNIAP.

Durante as investigações, o major Pedro Lussati, que pertencia à Banda Musical da Unidade de Guarda Presidencial(UGP), tutelada pela Casa de Segurança do Presidente da República, desmentiu que a fortuna fosse de outras figuras, entre as quais altas patentes das Forças Armadas Angolanas (FAA), exoneradas pelo Presidente da República.

Detido, recentemente, em Luanda, pelo Serviço de Investigação Criminal(SIC), está a ser acusado de crimes de peculato, branqueamento de capitais, retenção de moedas e outros.

Pedro Lussati está a ser defendido pela advogada Manuela Mendes, do Escritório David Mendes e Associados, filha do conhecido advogado e activista dos Direitos Humanos David Mendes, da Associação Mãos Livres.

No acto da detenção, numa das suas residências, foram encontradas avultadas malas de dinheiro com milhões de dólares, euros e Kwanzas, bem como viaturas de luxo.

Após a sua detenção, com auxílio do Serviço de Informação e Segurança de Estado (SINSE), vários generais da Casa de Segurança do Presidente da República foram exonerados pelo Presidente da República, enquanto Comandante em Chefe, suspeitos de cumplicidade no crime.

 
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