Economista alerta para “manipulação de dados” do INE
05-06-2021 | Fonte: Mercado

Do ponto de vista ético não fica bem o ministro da Economia e Planeamento tecer qualquer comentário sobre informação ainda não divulgada pelo INE, um organismo sob sua tutela”, critica o economista António Estote referindo-se ao facto de Sérgio Santos ter revelado dados do INE ainda em elaboração. 

“Em última instância, o ministro pode falar sobre o desempenho da actividade económica nacional, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional de Estatístico, órgão que coordena o Sistema Estatístico Nacional. Foi nessa qualidade que o ministro teve acesso privilegiado às contas nacionais do 1.o Trimestre de 2021 em elaboração pelo INE, mas ainda não publicadas”, admitiu.

António Estote acredita que o INE tem sofrido muita interferência política de forma a fazer coincidir os dados estatísticos com o discurso político.

“É fundamental não perder de vista que os dados estatísticos só são úteis quando conseguem captar de forma fiel a realidade objectiva que se pretende medir. Quando os dados estatísticos são manipulados perdem a sua serventia e induzem a tomada de decisões erradas e desprovidas de qualquer realismo”, alertou.

“Tal como tem acontecido com o Índice de Preços no consumidor apresentado pelo INE quando comparado com o aumento do nível de preços verificado nos mercados, feiras e supermercados”, comparou.

Há fortes indícios de manipulação de dados pelo INE, reafirma o também pesquisador do Centro de Estudos da Universidade Lusíada de Angola (CINVESTEC).

“Não se percebe como é que em Outubro de 2019, quando o governo introduziu o IVA e o BNA adoptou o regime de câmbios flexíveis, o INE apresentou uma inflação mensal de 1,38% o valor mais no período entre Junho de 2019 e Janeiro de 2021”, exemplificou. 

De acordo com relatórios do CEULA, em Outubro de 2019, e os preços subiram mais 70% nos mercados, feiras e supermercados”, garantiu.

Consciência ou não, o inquérito ao emprego que deveria ter sido publicado na terceira semana de Maio pelo INE ainda não viu a luz do dia. Atraso contribui para a avolumar as suspeitas sobre se a instituição não está a manipular os números para agradar ao Governo.

 
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