Governo recua nos big bags
05-06-2021 | Fonte: Mercado

Executivo vai permitir a importação de mercadorias em peque[1]nas embalagens por um período de seis meses, após a entrada em  vigor do decreto executivo nº  63/17 de 17 de Março, avançou ao  Mercado José Severino, presidente da Associação dos Industriais de  Angola (AIA), que integra a comissão técnica criada pelo Ministério da Indústria e Comércio (MIC).

A norma que estabelece as regras  sobre a importação de produtos  pré-embalados entra em vigor no  dia 17 de Junho de 2021, mas a polémica entre o Executivo e importadores persiste. Os técnicos liga[1]dos ao Governo acreditam na  existência de condições para execução do decreto executivo, a outra parte refuta (categoricamente)  a tese governamental.

A aquisição no estrangeiro de  produto a granel é uma medida de racionalidade económica, por isso o decreto executivo nº63/17 de 17 de Março deve ser acatado imediatamente, sobretudo para regular, defendeu José Severino, alegando que esta modalidade de importação está longe de ser uma forma estranha para Angola.

“A importação de cimento sempre foi feita em big bags e o embalamento no País. A indústria nacional mostrou competência para  o efeito. Temos de arrancar de qualquer forma. Sabemos que o arranque é difícil, mas devemos prosseguir”, alegou o presidente  da AIA.

José Severino disse estar perplexo com a resistência de alguns  agentes económicos, principalmente importadores, porque a  importação em big bags é mais barata, se comparada com a contentorizada que acarreta o ónus do frete de vinda e retorno dos contentores aos país de origens.  

Raul Mateus, presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (Ecodima), em declarações ao Mercado, disse ver com bons  olhos as medidas adoptadas pelo Executivo, mas advoga a criação de condições, inclusive técnicas,  para a implementação das novas  regras de importação no País.  A importação em big bags será  uma actividade (extremamente)complexa, explica, porque o  Porto de Luanda está desprovido  de equipamentos apropriados  para fazer a descarga de mercadorias embaladas a granel.

O líder da Ecodima contrapõe a  vantagem de importar em big  bags, anunciada pelo presidente da AIA, ao afirmar que um contentor tem capacidade de 27 toneladas, enquanto a embalagem a granel suporta 200 toneladas.  “As empilhadoras usadas em  Angola também vão constituir constrangimentos para descarga de mercadorias a granel”.

Raul Mateus disse ainda que a importação de mercadoria em big  bags não vai causar a redução dos preços dos produtos, principal[1]mente da cesta básica “porque o que está em causa é a capacidade de consumo. O preço do arroz em  Angola é duas vezes mais barato do  que em muitos países do mundo”.

Face aos constrangimentos presumidos com a entrada em vigor  do decreto executivo nº63/17 de 17 de Março, Raul Mateus advoga a auto regulação do mercado, em  obediência à economia de merca[1]do, que está ser contrariado com as novas regras de importação.

Especialistas independentes  acreditam na existência de condições em Angola para o embalamento de produtos importados a granel. O principal entrave, acreditam, são os indivíduos que ganham muito dinheiro com a importação em pequenas embalagens. Para esta classe, existem muitos produtos importados embalados internamente, por isso acreditam que vão emergir novos projectos, ligados à indústria da  embalagem.  Angola, defendem, precisa de  implementar modelos de gestão  que vão influenciar positivamente  para melhoria das condições de  vida das populações.

 
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