Primeira-dama angolana deveria processar a TV Record, diz analista
07-06-2021 | Fonte: DW

Ana Dias Lourenço, deveria processar o canal brasileiro, ligado Igreja Universal do Reino de Deus, por ter promovido um “ataque absurdo” contra a sua pessoa, defende o analista angolano Eugénio Costa Almeida.

Em entrevista à DW África, o investigador especialista em Relações Internacionais do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (CEI-IUL), Eugénio Costa Almeida, comenta a acusação feita pela TV brasileira, que relaciona Ana Dias Lourenço a um alegado caso de corrupção ligado à operação “Lava Jato”, da Polícia Federal brasileira.

A mulher de João Lourenço, que foi também ministra do Planeamento na altura do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, segundo a TV Record, terá beneficiado, supostamente, de negócios ilegais envolvendo o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o partido do poder, a construtora brasileira Odebrecht e a Orion, empresa de publicidade e comunicação de que era acionista. 

"Este ataque absurdo, que efetivamente levou a própria equipa de advogados da IURD, da TV Record em Angola, a abandonar a tutela, mais não é do que uma consequência, dessa tal "angolanização" da IURD", lamenta.

Questionado se o ataque a primeira-dama não seria para afectar a imagem do Presidente João Lourenço, Costa de ALmeida é de opinião que pode ter sido uma vontade, porque a TV Record também tem um problema que não podemos escamotear: "quer a TV Record, quer o grupo ZAP foram sancionados pelo Ministério das Telecomunicações de Angola, quanto às sua emissões, porque os respetivos detentores de cargos dirigentes não eram angolanos, de acordo com a lei nacional. E a IURD, como detentora do canal, não acolheu bem a situação. E portanto isso também pode ter sido uma forma de protesto. Portanto tudo isso pode servir para a campanha contra o Presidente e naturalmente contra o seu partido".

"Na minha opinião a solução imediata mais correta - porque o ataque foi contra uma pessoa, neste caso a  primeira-dama - seria colocar a TV Record em tribunal", conclui.

 
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