Petróleo: Produção nacional contínua a baixar mas valor das vendas aumentou
24-01-2023 | Fonte: Expansão

Angola vendeu durante 2022, pouco mais de 391 milhões de barris de petróleo, uma média de cerca de 1,071 milhões de barris por dia (mbpd), o que rendeu em receita bruta quase 40 mil milhões de dólares norte-americanos, divulgou hoje o Governo.

Estes números indicam que a produção nacional continua em declínio, embora ligeira, face aos anos anteriores, mas a receita cresceu substancialmente devido aos valores médios praticados nos mercados petrolíferos que estiveram mais altos devido, entre outros factores, devido à eclosão da guerra da Ucrânia e à abertura das grandes economias pós-pandemia da Covid-19. São, no entanto, dados preliminares aqueles que hoje foram apresentados pelo secretário de Estado dos Petróleos, José Barroso, embora já seja muito aproximado o valor médio conseguido por barril nas exportações angolanas, de 101, 9 USD.

Ficou-se ainda a saber que a produção nacional voltou a cair face aos números de 2021, tendo essa quebra chegado aos 0,54%, o que representa cerca de 3 milhões de barris a menos que em 2021, o que contrasta claramente com os 43% de aumento nos valores brutos arrecadados com as vendas que são, ainda, principalmente para a China, a maior fatia, de longe, com perto de 54% do total.

Em média, segundo números avançados pela Angop, a partir de dados fornecidos por Patrício Wanderley Quingongo, um especialista do sector, o país fica com cerca de 15 mil milhões USD dos quase 40 mil milhões brutos, e ainda o referente aos 290 mil barris por dia que são pertença do Estado por via das suas participações.

Entretanto, como foi divulgado recentemente pelo Governo, Angola deixou de lado a opção de entregar o petróleo à China como garantia dos volumosos empréstimos do gigante asiático, passando estes a ser pagos directamente pelo tesouro, com condições mais vantajosas.

O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro angolano, Ottoniel dos Santos, falou, em declarações à imprensa, que esta decisão resulta da necessidade de uma "gestão criteriosa" da dívida face às incertezas do mercado. Isso mesmo ficou já claro no último empréstimo chinês, de mais de 231 milhões de dólares, que o governante explicou que marca uma nova fase nas relações entre os dois países, suportado por taxas de juro baixas e por um período longo de 20 anos, sem estar associado à produção de crude como colateral.

 
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